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Entre Pontos e Vírgulas por Gelsiney Schell

Cidades Degradadas tendem a gerar mais Violência

Do abandono ao caos social

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Foto: Gelsiney Schell
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O ambiente em que vivemos exerce grande influência sobre nosso comportamento. De acordo com estudos da psicologia ambiental, bairros desorganizados, sujos, sem infraestrutura e marcados por pichações tendem a propiciar o aumento da violência e do sentimento de insegurança.

Um dos conceitos mais citados para explicar essa relação é a Teoria das Janelas Quebradas, proposta pelos criminologistas James Q. Wilson e George L. Kelling em 1982. Segundo eles, sinais de abandono e desordem — como lixo acumulado, prédios pichados e ruas mal cuidadas — transmitem a mensagem de que não há regras nem vigilância no local. Isso, por sua vez, estimula comportamentos antissociais e criminosos.

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A psicologia ambiental reforça essa visão. Pesquisadores como Susan Saegert e Gary W. Evans apontam que a exposição contínua a ambientes deteriorados pode gerar estresse crônico, ansiedade e sensação de impotência na população. Ambientes sujos e mal cuidados reduzem a autoestima dos moradores, enfraquecem os laços comunitários e favorecem o isolamento social — fatores que, somados, criam um terreno fértil para a criminalidade.

Além disso, estudos da American Psychological Association (APA) indicam que a desordem visual e a falta de manutenção urbana estão associadas ao aumento da desconfiança entre vizinhos e à perda do sentimento de pertencimento, elementos fundamentais para a construção de comunidades seguras.

O papel das prefeituras

Diante desse quadro, a atuação das prefeituras é essencial. Investir na limpeza urbana, restaurar prédios públicos, revitalizar praças, garantir iluminação adequada e combater a pichação são ações que vão muito além da estética. Essas medidas ajudam a criar um ambiente mais saudável psicologicamente e a prevenir o avanço da violência.

Experiências em diversas cidades do mundo, como Nova York na década de 1990, mostram que a recuperação de espaços públicos deteriorados, aliada a políticas de inclusão social, resultou em significativa redução da criminalidade.

Cuidar da cidade é cuidar da sociedade

Portanto, a organização e o cuidado com o espaço urbano devem ser vistos como uma prioridade para garantir qualidade de vida e segurança para todos. A cidade que cuida dos seus espaços públicos, cuida também da saúde mental, da autoestima e da esperança de seus cidadãos.

Referências:

  • Wilson, J. Q., & Kelling, G. L. (1982). Broken Windows: The Police and Neighborhood Safety. The Atlantic.
  • Saegert, S. (1982). Environment and Children’s Mental Health: Residential Density and Low Income Children. In Baum, A., & Singer, J.E. (Eds.), Advances in Environmental Psychology.
  • Evans, G. W. (2003). The Built Environment and Mental Health. Journal of Urban Health.
  • American Psychological Association (APA) Effects of Environmental Conditions on Psychological Health.

Com informação Gelsiney Schell.

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