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Aprendizagem em memórias

O afeto que afeta

Sem afeto, a relação de aprendizagem se torna infrutífera

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FOTO: Arquivo/Portal Rondon
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É sabido que a ausência de afeto afeta a quem dele sente falta. Um dos pilares do desenvolvimento humano é o afeto em toda a sua forma de expressão. O bebê sente o afeto dos pais quando, ainda em estado de gravidez, recebe palavras do tipo: estamos lhe esperando, amamos você, não vejo a hora de chegar ou ainda, que bom que está vindo! Estas palavras “confortam” e “reconfortam” o bebê no ventre materno. Todo o início de uma gestação precisa estar presente o afeto incondicional àquele que “surgiu” de um relacionamento de afeto.

No processo Psicopedagógico, o profissional inicia a jornada de construção com a criança, adolescente, jovem ou ainda o adulto, sempre com o vínculo do afeto. Sem este afeto, a relação de aprendizagem se torna infrutífera porque o relacionamento passa a ser apenas de um “instrutor” para um aprendente.

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Um grande estudioso sobre o afeto foi Henry Wallon. Ele citava que a afetividade é expressa de três maneiras: por meio da emoção, do sentimento e da paixão. A emoção é a primeira expressão da afetividade. É quando a notícia da gravidez emerge na vida de dois seres que, em busca de uma construção sólida e saudável, procuram ter em seu convívio mais um para ser amado. É a notícia: estou grávida! Em um ambiente não tóxico, revela um brilho nos olhos, a emoção surgindo, o abraço apertado, o sorriso nos lábios e a expressão: vou seu papai, ou vou ser mamãe, dá início à emoção do afeto.

Já o sentimento tem uma face mais representada pela sensação surgindo no momento em que os envolvidos falam do que lhes afeta. É o comentário da construção do futuro se instaurando na vida da família. Os avós são informados, os amigos, e até mesmo as “redes sociais” nos dias de hoje, isto sem mencionar as “fotos” da gravidez.

No que diz respeito à paixão, a característica é o autocontrole em função do objetivo. Onde ficará o quarto do bebê? Como será a decoração? Será parecido comigo ou com você? É a manifestação da ansiedade dominada por um objetivo final. Agora seremos três ou mais quando já existirem outros filhos.

A grande dificuldade que Psicopedagogia enfrenta é justamente o processo de conscientização para que haja afeto na vida familiar no processo do ensinante-aprendente. Todos somos, ao mesmo tempo, os que ensinam e os que aprendem. E o que existe de melhor na vida dos que aprendem? O afeto dos que ensinam!

Júlia e Marcos tinham grande dificuldade em demonstrar afeto aos seus filhos, principalmente a Késia, a primeira filha, após terem sido descobertas algumas dificuldades de aprendizagem. Como era difícil ao casal ter que lidar com o afeto para alguém (filha deles) que não estava “em acordo” com suas expectativas. A realidade de ser aquele “filho inteligente” ou “filho destaque” ou ainda “filho revelação” no Ambiente de Aprendizagem não seriam ouvidas, embora desejadas. Foi assim que Késia chegou no encontro com Psicopedagogia. Tímida, introvertida e com o discurso de que não conseguia, era incapaz, os outros são melhores. E o mais grave: mamãe e papai sempre me dizem isto! Reverter este processo não é simples ou fácil, e tem que primeiro passar pelos pais que pelo motivo de não quererem lidar com a “frustração” do não ouvir o que tanto desejavam, “que filha inteligente”, “Que maravilha! Aprende rápido” ou ainda “nossa filha é a melhor da turma”, precisam lidar com outras frases. Algumas do tipo “está desenvolvendo”, houve uma “sensível melhora”, “de passo a passo tem demonstrado um crescimento maravilhoso”. Após alguns encontros com Júlia e Marcos, o processo de aprender a lidar com o “não era bem isto que esperava”, foi restaurado por Psicopedagogia no confrontamento com a frase: somos família e juntos precisamos do afeto uns pelos outros.

Em cada momento de visita a um Ambiente de Aprendizagem, Psicopedagogia sempre reforça que o afeto afeta a quem dele tem falta. Afeto no olhar, no tato, no ouvir, no sentir. Afeto ao descobrir que uma família precisa viver um dia de cada vez, sem correr, sem angustiar sem pressionar. Afinal, é no afeto que afeta que nos tornamos ensinantes-aprendentes a cada dia da existência. Isto é um processo. Não é milagre, é cura diária na construção de algo sólido e duradouro. Como anda o meu afeto? Afeta a quem faz falta? Com certeza.

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