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Aprendizagem em memórias

Quantos antes melhor – A vergonha de ser rotulado

Quantas vezes perdemos o melhor porque temos vergonha de receber o melhor

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FOTO: Arte/Portal Rondon
Martin Luther – Enem

Passar vergonha é o que, penso eu, ninguém deseja. Famílias com filhos que possuem algum Déficit de Aprendizagem, por vezes tendem a se “encolherem” por terem vergonha de que seus filhos não são “normais”, ou seja iguais aos outros.

Psicopedagogia em sua “andança” pela Cidade Grande, encontrou muitas famílias que diziam que se reconhecessem que seus filhos possuem dificuldade na aprendizagem, a Escola iria ‘’rotulá-los” como estudantes com “menor grau de intelectualidade”, e isto para todos os membros da família seria muita vergonha.

Avisul

João e Maria a cada dia quando se encontravam com Psicopedagogia passavam pela “Terapia do Espelho” onde a cada “nova visão” podiam enxergar o que realmente de fato acontecera na trajetória de estudos do filho, onde “erraram” e onde “acertaram”. É importante lembrar que podemos acertar pensando que estamos errando e podemos errar pensando que estamos acertando.

Era uma manhã normal como as outras. O filho de João e Maria foi para a Escola participar de mais um Ambiente de Aprendizagem. Na hora do intervalo um dos “coleguinhas” do filho deles disse: “você é débil mental?”. A criança olhou espantada com a pergunta e perguntou o motivo deste questionamento, e a resposta foi a seguinte: “Você faz cada questionamento “sem noção” em sala de aula”. Aquele coleguinha não sabia que o filho de João e Maria era incentivado todos os dias pelos pais a não voltar para casa com qualquer dúvida dos conteúdos disciplinares, mas sempre, sempre procurar “tirar as dúvidas” na sala. “Não sou um débil mental, sou um aluno que deseja aprender, por isso, pergunto quando não compreendo o que está sendo ensinado”, respondeu ao colega que havia feito a pergunta.

Chegando em casa, como sempre, João e Maria perguntaram ao filho sobre o aprendizado, como foi, quais as dificuldades… O filho narrou sobre o episódio que acontecera. “Mas isto é terrível! Como pode este “coleguinha” ser tão grosseiro com você?” E o filho respondeu calmamente, “Nada a ver, mãe. Nada a ver. Este colega tem medo de perguntar quando não sabe”. Terminado o almoço, João e Maria foram trabalhar, mas passaram a tarde toda com “aquela dúvida” na cabeça: Vou ou não ao colégio falar sobre este assunto? Quando se prepararam para dormir, João comentou com Maria que passara a tarde toda pensando no que acontecera com o filho na parte da manhã. “O que faremos? Vamos ao colégio amanhã cedo ou não? Conversamos com o Pedagogo ou não? Falamos com o Diretor ou não?” E conversaram um bom tempo sobre o assunto, até que Maria perguntou: “Do que temos medo?” João respondeu: “E se rotularem nosso filho como um incapaz de aprender igual aos outros? Eu particularmente terei uma imensa vergonha se isto acontecer”.

No outro dia pela manhã, João resolveu fazer contato com Psicopedagogia, marcando um encontro. Na hora estabelecida, relatou tudo o que acontecera. E terminou a conversa dizendo que tem “vergonha” de o filho ficar “rotulado” de incapaz de aprender. “A vergonha é uma reação de defesa”, falou Psicopedagogia. “Quando se tem vergonha é por haver uma preocupação com o julgamento do outro em relação aquele assunto. Quem cria o seu filho, João?” “Eu, é claro!” “Quem dá o alimento para o seu filho, João?” “Eu, é claro!” “Quem compra as roupas de seu filho, João?” “Eu, é claro!” “Quem paga as contas de tudo o que é investido em seu filho, João?” “Eu, é claro!” Psicopedagogia completou: “Você e sua esposa!” “Certo, isto mesmo!”, respondeu João. “Então, do que ter vergonha?” “Se alguém for rotulado não será seu filho, e sim aquele coleguinha que não teve a sensibilidade de perceber que perguntar, tirar dúvidas, questionar não é um ato debilóide, mas, sim, um ato “criativo” de aprendizado”. O rótulo não está na vergonha, mas, sim, no achar que o outro colocará o rótulo. Pode ser que sim, pode ser que não, então o melhor é arriscar, porque como já diz o ditado: “quem não arrisca não petisca”.

João foi para casa e assim que encontrou com Maria disse em alto e bom som: “Vergonha que nada! Hoje mesmo vou ao colégio porque, sendo responsável, é mais do que obrigação zelar pelo aprendizado do meu filho, não importa o que achem ou pensem”. E assim João fez.

Quantas vezes perdemos o melhor porque temos vergonha de receber o melhor. Pense nisto, zele pelo aprendizado de seu filho!

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