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Reforma Protestante

A Reforma não parou

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|Foto: Portal Rondon|
Ótica Esmeralda

Mais uma vez chegamos ao mês de outubro, e com ele celebramos os 504 anos da Reforma Protestante.

Acima de tudo, a Reforma marcou a cristandade entre Protestantes e Católicos, redesenhando fronteiras e governos, interagindo na política e nas artes.

RondomaQ – Agosto 2022

Os desdobramentos que a Reforma Protestante trouxe nos alcançam até hoje, e todos os que são Luteranos são parte dessa história.

Nessa semana que antecede o dia 31 de outubro, queremos refletir sobre a Fé Luterana…

Quando eu tinha 12 anos, encontrei na biblioteca da minha escola, um livro infanto-juvenil, cheio de ilustrações com o título “A Reforma retiro Protestante”. Eu era um adolescente que lia a Bíblia, não sabia nada de história, mas mesmo sem saber de tudo isso, não tinha ideia de que aquele livro iria gerar em minha vida e família com relação a fé. Encontrar aquele livro foi, para mim, encontrar tudo, pois, percebi que o que eu estava pensando, outras pessoas já haviam pensado antes de mim.

Alguns dias depois, eu estava no grupo de adolescentes de uma Igreja Luterana.

Em 2017, por questões profissionais, precisei ir à Portugal e depois à Alemanha. Eu nem havia me dado por conta que eram os 500 anos da Reforma Protestante, até chegar em Wittenberg. A cidade estava em obras para os festejos da celebração. Estar lá era como se eu estivesse andando nas páginas do livro de história que tinha lido aos 12 anos. Eu pude estar na Igreja do Castelo, na casa de Melanchton e na Casa de Lutero e Catarina. Caminhar pela praça e fazer o trajeto da casa do Lutero à Igreja do Castelo, imaginando que o próprio Lutero teria andado inúmeras vezes por aquele mesmo lugar… foi profundamente emocionante e, por que não dizer, uma experiência espiritual.

Eu me sentia em casa, parte de mim tinha a ver com aquele lugar e eu sabia que, mais do que uma viagem, era uma peregrinação, um retiro que Deus permitiu que eu vivesse.

Almocei em um restaurante perto da Casa do Lutero. Ao meu redor, havia muitos turistas. A maioria era pastores. Eu sabia disso pois eles estavam com camisas clericais. Haviam pessoas da Ásia, da Oceania e das Américas. Existia uma mistura de dialetos e línguas naquele lugar. Um pastor da Suécia sentado ao lado da minha mesa era profundamente simpático e até parecia um brasileiro puxando conversa comigo.

Antes de cada um almoçar, era possível escutar orações em línguas diferentes. Mesmo em línguas totalmente diferentes umas das outras, eu sabia que todos nós estávamos lá com o mesmo objetivo: conhecer mais sobre nossa herança histórica: a Fé que nos foi redescoberta pela Graça, através do Cristo das Escrituras. Lembrei de pentecostes, quando houve entendimento por todos em línguas diferentes.

Então, lá do outro lado do mundo, lembrei mais uma vez que o Evangelho une, transforma, liberta, salva e nos alcança para que possamos render Glória apenas a Deus.

Saindo de Wittenberg fui à Marburg. Essa também é uma cidade importante para nós luteranos. Foi nela que as bases da teologia da Santa Ceia foram firmadas por Lutero, quando no ano de 1529, ele Zuinglio conversaram sobre o assunto na chamada Conferência de Marburg promovida por Felipe I de Hesse.

Pude visitar a Igreja Luterana junto a primeira Universidade Protestante, fundada em 1527. Conheci também a sede da Marburg Mission (Missão de Marburg) – uma obra missionária, que apoia igrejas luteranas e reformadas pelo mundo todo. Eles atuam na África, nas Américas, na Ásia, na Oceania, na Europa, na Rússia e na Albania. Em 1909, essa mesma missão enviou um pastor e sua esposa diaconisa para a China, como missionários. Em Marburg, pude perceber o quanto a Reforma de Lutero alcançou terras distantes pelo testemunho do Evangelho e pelo cuidado dos mais necessitados.

Voltando para o Brasil, tinha convicção de que algo tinha sido mudado em minha vida depois daquela viagem. Tive a certeza renovada de que a Fé que fui instruído lá na minha adolescência era viva e havia sido ressignificada em meu coração.

O que mais aprendi nessa viagem é que a Reforma não parou. Ela continua em nossos corações, nossas vidas, em corações, nossas cidades, em nossas congregações e em cada pessoa que o Evangelho alcança por sua graça. Esse ano, comemoramos os 504 anos da Reforma. E nós somos parte desse legado, parte dessa história, testemunhando o Evangelho pela Palavra e pelos sacramentos. A Cristo, pela fé, pela graça e pelas Escrituras: a Deus damos glórias. Amém!

Dchinelos
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