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O que podemos esperar da F1 em 2021? – Parte 3

A Alpine e a Aston Martin não faziam parte da F1 em 2020. A temporada de 2021 será marcante

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A Alpine e a Aston Martin não faziam parte da F1 em 2020. O que podemos esperar delas?

A temporada de 2021 será marcante por várias razões. Entre elas, a entrada de novas marcas que não compunham o grid no ano passado. A equipe que nós conhecíamos por Renault foi rebatizada de Alpine, ao passo que a equipe que nós conhecíamos pela alcunha de Racing Point passou a se chamar Aston Martin. Os funcionários são os mesmos, o endereço das equipes permanece o mesmo, mas os nomes agora são outros.

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A Alpine era conhecida na F1 como Renault até o ano passado. A Alpine é uma submarca da Renault. E, por uma mudança de estratégia de publicidade, os diretores da montadora chegaram à conclusão de que era a hora de colocar a marca Alpine em mais exposição. Então, por isso, a partir desse ano a equipe se chama Alpine.

Desde a época em que ainda se chamava Renault, a equipe vem em crescimento. Seja em pontos no campeonato, na qualidade dos carros produzidos, no numero de funcionários e, sobretudo, nos bastidores, na qualidade dos nomes envolvidos com a categoria.

Lá em 2016, quando o time retornou à Fórmula 1, um dos principais fiadores dessa volta foi o tetracampeão Alain Prost. Ele correu pela Renault entre 1981 e 1983, e venceu os campeonatos de 1985, 1986, 1989 e 1993. Prost foi um dos nomes fortes para o retorno da equipe à categoria.

Desde então, o time tem se reforçado bastante e em várias áreas diferentes. Gestão de pessoas, engenheiros, mecânicos, projetistas aerodinâmicos e, também, projetistas de motor.

Os nomes de peso da Alpine não se resumem “apenas” a Alain Prost, não. O time foi ao mercado e hoje conta com nomes importantes, como Pat Fry (Diretor Técnico que cuidará dos chassis), Marcin Budkowski (Diretor Executivo da equipe), e Davide Brivio (responsável pela operação da equipe em pista).

Brivio, inclusive, foi o responsável por reconduzir a Suzuki às vitórias no Mundial de MotoGP. A equipe japonesa foi campeã de construtores pela primeira vez em 2020, e Joan Mir foi o primeiro piloto Suzuki a ser campeão desde 2000. Então, certamente, Brivio está acostumado com o caminho da vitória e pode dar uma grande contribuição à Alpine.

A equipe contará com Fernando Alonso e Esteban Ocon ao volante de seus carros. O espanhol se despediu da categoria em 2018 e foi se divertir por aí. Pilotou de tudo um pouco nesse meio tempo: Indy,  IMSA, NASCAR, Súper TC 2000, WEC, Dakar… Um racer, como se diz por aí. Neste período, o espanhol acumulou vitórias (sobretudo no WEC) e alguns fracassos (como a não classificação para a Indy 500 de 2019). Mas nem mesmo isso foi capaz de desmobilizar o espanhol da sua missão de retornar à categoria mais importante do esporte a motor mundial.

Alonso é um piloto extremamente talentoso. Bi-campeão do mundo, o espanhol foi responsável por interromper o ciclo de 5 títulos mundiais consecutivos de Michael Schumacher e da Ferrari. Sabemos que o talento, a habilidade em extrair o máximo de um carro, a capacidade de fazer a leitura correta da corrida continuam ali, Alonso não perdeu isso de uma hora pra outra. Resta ver como será sua adaptação nesse retorno à F1.

Esteban Ocon, por sua vez, também é um piloto muito talentoso. O francês de 24 anos tem títulos na F3 Europeia (onde derrotou Max Verstappen) e na antiga GP3 (atual Fórmula 3). Ocon estreou na F1 em 2016, pela Manor, depois pilotou pela Force India e passou o ano de 2019 fora das pistas, pois ficou sem vaga. Em 2020 ele foi contratado pela Renault e finalmente conquistou seu primeiro pódio (foi 2° colocado no GP de Sakhir). A equipe confia no seu potencial e a tendência é que Ocon possa desempenhar um bom papel na briga da Alpine pelo 5° lugar no campeonato de construtores.

ASTON MARTIN

Sebastian Vettel, Aston Martin Racing. Créditos: Aston Martin Racing

Muita expectativa cerca o retorno da marca britânica à F1. Sim, retorno! A Aston Martin competiu em 5 GPs entre os anos de 1959 e 1960, de modo que o time não é exatamente novato na categoria.

Em 2020, quando ainda se chamava Racing Point, o time teve uma temporada bastante promissora, com uma pole position, uma vitória e outros três pódios. Portanto, as expectativas em torno da temporada de 2021 são bastante altas por algumas razões.

Será interessante ver como o tive vai atuar no seu segundo ano utilizando uma cópia do modelo utilizado pela Mercedes no ano de 2019. Agora que o time compreende melhor o comportamento do carro, a tendência é que os resultados sejam ainda melhores.

Essa decisão de copiar a Mercedes, inclusive, gerou uma discussão filosófica dentro da F1. Afinal de contas, o que difere a F1 de outras categorias é, justamente, o fato de cada time construir seu próprio carro. Mas o grupo de engenheiros, liderados por Otmar Szafnauer, que são responsáveis pelo design dos carros britânicos, foram ao limite do que o regulamento permite e apresentaram um carro idêntico às flechas de prata. As equipes rivais chiaram um pouco, formalizaram uma série de protestos, e a FIA aplicou uma pena bastante branda ao time. Às vezes, o crime (por assim dizer) compensa…

A semelhança entre o modelo da Mercedes (o original, em preto) e o da então Racing Point (a cópia, em rosa). Créditos: F1/Divulgação

Outro ponto interessante é a chegada do tetracampeão mundial Sebastian Vettel ao time. Vettel teve anos pra lá de difíceis na Ferrari e estava muito desacreditado no circo da F1. Agora, respirando novos ares, será que veremos novamente aquele Vettel que assombrou o mundo da F1 entre 2010 e 2013? Isso só o tempo dirá.

Mas, a tendência é que sim. Vettel prefere um carro que tenha a traseira bastante estável, de modo que ele possa carregar bastante velocidade nas curvas. Algo que a Ferrari não conseguiu lhe entregar, mas que a Aston Martin tem condições de fazê-lo – principalmente por usar um carro semelhante até demais aos carros produzidos pela Mercedes.

O time, que perdeu o 3° lugar no mundial de construtores no ano passado por apenas sete pontos, tem totais condições de liderar o segundo pelotão e se aproveitar de eventuais escorregadas da Mercedes e da Red Bull para sonhar com pódios e vitórias.

Além de Sebastian Vettel, o time conta com os serviços de Lance Stroll na pilotagem. O canadense, que é filho do dono da equipe, vem buscando provar que é mais do que um piloto pagante na Fórmula 1. Desde o início de sua carreira, em 2017, pela Williams, Stroll sempre foi cercado de muita desconfiança nos bastidores da categoria, afinal de contas, acreditava-se que ele só estava ali pela força dos dólares de seu pai. No entanto, ano após ano, o piloto vem amadurecendo e conquistando resultados mais sólidos. O piloto já é dono de uma pole position e três pódios. Com o equipamento que terá em mãos esse ano, a tendência é que esses números melhorem ao longo do ano.

Essa foi mais uma coluna Pit Stop no Portal Rondon. Parada obrigatória para quem gosta de esporte a motor! Voltamos em breve com mais informações.

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