Entre Pontos e Vírgulas por Gelsiney Schell
Ser Cristão Nos Últimos Dias: Fé, Perseguição e Eternidade…
Por Gelsiney Schell
Há algumas décadas, declarar-se cristão podia gerar apenas risos discretos ou olhares de ironia. Nos anos 80, entre jovens influenciados pela televisão, pela cultura popular e por uma modernidade que começava a afastar-se da espiritualidade, dizer “eu sou cristão” parecia antiquado, quase constrangedor.
Era apenas vergonha social.
Hoje, em muitos lugares do mundo, tornou-se sentença de morte.
Em regiões da África e do Oriente Médio, cristãos são perseguidos, expulsos, presos e mortos por causa da fé que professam. Igrejas são destruídas, famílias são separadas, e o simples ato de carregar uma Bíblia pode significar o fim da própria vida.
O que antes era rejeição cultural tornou-se perseguição real.
E para quem conhece as Escrituras, isso não é surpresa.
Jesus Cristo declarou com absoluta clareza:
“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro do que a vós me odiou a mim.”
(João 15:18)
O cristianismo nunca foi prometido como caminho confortável. Pelo contrário. A fé verdadeira sempre carregou o peso da contradição diante do mundo. O próprio Cristo advertiu:
“No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”
(João 16:33)
A perseguição não surge como acidente histórico, mas como consequência inevitável de uma fé que confronta valores, denuncia injustiças e proclama uma verdade que não se dobra ao espírito do tempo.
O apóstolo Paulo reforça essa realidade sem suavizar as palavras:
“Todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus padecerão perseguições.”
(2 Timóteo 3:12)
Não alguns.
Todos.
Essa afirmação desmonta a ideia moderna de uma fé confortável, adaptada apenas ao bem-estar pessoal. O cristianismo bíblico não é uma filosofia de conveniência; é um chamado à transformação radical da alma.
Mas diante dessa realidade surge a pergunta essencial: por que tantos cristãos enfrentam a morte sem negar sua fé?
A resposta está na compreensão cristã da própria morte.
Para a filosofia cristã, a morte não representa o fim da existência. Ela é passagem. Transição. Travessia.
As Escrituras afirmam:
“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.”
(Filipenses 1:21)
O que pode ameaçar alguém que não vê a morte como derrota?
Quando a eternidade se torna mais real do que o presente, o medo perde o domínio. O corpo pode ser destruído, mas a esperança permanece intacta. O próprio Jesus ensinou:
“Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma.”
(Mateus 10:28)
Aqui está o ponto central que o mundo moderno tenta ignorar: a verdadeira batalha não é política, cultural ou social.
É espiritual.
Enquanto observamos corrupção, injustiça, violência e confusão moral crescendo nas sociedades, o Evangelho nos direciona para uma análise mais profunda — não do mundo exterior, mas do interior humano.
Antes de perguntar quem nos persegue, devemos perguntar:
Para onde estamos conduzindo nossa alma?
Jesus fez a pergunta mais contundente da história:
“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
(Marcos 8:36)
Vivemos uma geração preocupada em alimentar o corpo, proteger a imagem e acumular conquistas, mas frequentemente negligente com aquilo que é eterno. A alma é moldada diariamente pelas escolhas invisíveis: pensamentos, atitudes, valores e fé.
A Bíblia apresenta uma verdade direta, sem ambiguidades: a existência humana caminha para um encontro definitivo com Deus.
“Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo.”
(Hebreus 9:27)
Não há neutralidade espiritual.
Não há caminho intermediário.
A eternidade, segundo a fé cristã, aponta para dois destinos possíveis: comunhão eterna com Deus ou separação eterna d’Ele.
Céu ou inferno.
Diante disso, as perseguições históricas, por mais dolorosas que sejam, tornam-se menores diante da questão maior: o estado da nossa alma.
Talvez os últimos tempos não sejam marcados apenas por guerras ou crises globais, mas por algo ainda mais silencioso — o esfriamento da fé, exatamente como advertiu Jesus:
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (Mateus 24:12)
O maior risco não é apenas morrer por Cristo.
É viver sem Ele.
Ser cristão nos últimos dias não será uma questão cultural, nem tradição familiar, nem identidade social. Será uma escolha consciente, diária e, para muitos, corajosa.
Porque chegará o tempo — e para alguns povos esse tempo já chegou — em que declarar “eu sou cristão” não significará pertencer a uma religião.
Significará pertencer à eternidade.
E então restará apenas uma pergunta, impossível de evitar:
Que alimento temos dado à nossa alma?
Pois no fim, quando todas as vozes do mundo se calarem, não será o poder, nem a fama, nem a aprovação humana que permanecerão.
Somente a verdade.
E a direção eterna que escolhemos enquanto ainda havia tempo.




