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Entre Pontos e Vírgulas por Gelsiney Schell

Pais e filhos: a lição do barro…

Por Gelsiney Schell

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em

Foto: Gelsiney Schell
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No último final de semana, em Porto Mendes, aconteceu mais uma edição do Acampamento de Pais e Filhos, um evento que já se consolidou no calendário oficial do município de Marechal Cândido Rondon. Pela primeira vez, estivemos presentes não apenas como participantes, mas como observadores, jornalistas e críticos. E a nossa análise é clara e sincera: a experiência foi extraordinária.

Desde a organização até a execução das atividades, tudo demonstrava cuidado, zelo e excelência. Grande público, programações lotadas, espaços limpos, banheiros bem cuidados, iluminação eficiente e uma logística impecável. Mas, acima de qualquer estrutura, o que realmente chamou a atenção foi a atmosfera humana, familiar e espiritual que tomou conta do lugar.

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Vimos pais e filhos jogando futebol e vôlei, caminhando juntos em trilhas, navegando de barco, remando em caiaques, sentados na grama compartilhando um tererê, preparando churrascos, conversando, rindo, ensinando. Ensinando, sobretudo, a viver. Ensinaram, sem discursos, o valor da convivência, do tempo de qualidade, do olhar atento, do cuidado e da presença.

E, entre tantas imagens marcantes, uma delas se destacou com força simbólica: o barro.

Na Bíblia, o barro representa o princípio da criação humana. “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida” (Gênesis 2:7). O barro é origem, é começo, é essência. É dele que viemos, e é nele que encontramos uma poderosa lembrança de quem somos.

Durante as atividades, pais, mães e filhos brincaram no barro. Rolavam, corriam, riam, sujavam-se. Em poucos minutos, todos estavam iguais: cabelos, roupas, rostos, mãos — tudo coberto de barro. E, naquele instante, algo extraordinário acontecia diante dos nossos olhos.

Não havia mais cores, classes, diferenças ou rótulos. Não existiam crianças brancas, negras ou amarelas. Havia apenas crianças. Não havia pais cansados, frustrados, doentes ou preocupados. Havia apenas pais. Homens e mulheres inteiros, presentes, vivos naquele momento.

O barro apagou fronteiras invisíveis. O barro nivelou corações. O barro ensinou sem palavras.

Ali, o barro deixou de ser apenas terra molhada e tornou-se símbolo profundo de igualdade, união, simplicidade, comunhão e paz. Tornou-se um lembrete silencioso de que, no essencial, somos todos feitos da mesma matéria, sustentados pelo mesmo sopro divino.

“Somos o barro, e tu és o nosso oleiro; todos nós somos obra das tuas mãos” (Isaías 64:8). Essa verdade ecoava em cada sorriso sujo de terra, em cada abraço marcado pelo barro, em cada gargalhada espontânea que rompia o silêncio da natureza ao redor.

Naquele chão, pais e filhos não apenas brincaram. Reconectaram-se. Reconstruíram laços. Curaram distâncias. Fortaleceram vínculos. Redescobriram o valor da presença, do toque, do tempo compartilhado.

O Acampamento de Pais e Filhos mostrou que, em meio a um mundo cada vez mais acelerado, tecnológico e distante, ainda é possível resgatar o essencial: o encontro verdadeiro entre gerações.

Que o barro continue sendo lição. Que continue lembrando aos pais de sua missão. Que continue ensinando aos filhos o valor da simplicidade. Que continue nos devolvendo à nossa origem, à nossa essência e, sobretudo, àquilo que nos torna verdadeiramente humanos.

Bui Barbosa Rodapé
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