Entre Pontos e Vírgulas por Gelsiney Schell
Uma gotinha de amor…
Por que as mães choram?
Você já viu sua mãe chorando? Talvez tenha passado por ela no corredor, com os olhos vermelhos, e pensou: “De novo essa novela triste?” Ou talvez ela virou o rosto rápido, disfarçando com um “entrou um cisco”. Mas e se eu te dissesse que aquelas lágrimas são por você?
Tem coisa que a gente não aprende na escola, e entender mãe é uma delas. A psicologia tenta explicar. Carl Jung, por exemplo, dizia que a dor ignorada vira sombra. As mães carregam muita sombra, mas disfarçam com sorrisos, com pão quentinho, com “leva o casaco”. Choram baixinho quando você tranca a porta do quarto e responde com “tá, depois eu vejo”.
Elas choram quando se lembram da sua primeira febre, do primeiro passo, da primeira vez que você disse “mãe” com aquele som esquisito. E choram de novo quando você cresce e começa a dizer “tô ocupado” ou “não tenho tempo”.
Sabe aquele dia que você chegou tarde e não avisou? Ela chorou. Quando você ficou triste e não quis conversar? Chorou também. Quando você disse que ela não entende nada da sua vida? Doeu. Elisabeth Kübler-Ross escreveu que as pessoas mais fortes são aquelas que passaram por muito e continuaram amando. Sua mãe é dessas.
Ela não chora porque quer te manipular. Nem porque é fraca. Ela chora porque sente demais. Donald Winnicott chamava isso de “mãe suficientemente boa”, aquela que tenta fazer o melhor mesmo sem manual, mesmo errando.
As mães choram porque carregam no coração um mundo que você ainda não enxerga. Elas choram porque o amor que sentem não cabe mais só no corpo, escorre pelos olhos.
Talvez agora você esteja pensando em tudo que deixou de dizer. Ainda dá tempo. Tira o fone por cinco minutos. Manda aquele “te amo” fora de data. Abraça. Faz um café. Escuta o que ela não diz com palavras.
Porque um dia, quando for sua vez de cuidar, vai lembrar dessas lágrimas. E vai entender que elas sempre quiseram dizer: “eu te amo mais do que posso explicar”.
Autor: Gelsiney Schell.




