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Entre Pontos e Vírgulas por Gelsiney Schell

Entre Formas e Cores: Uma Bandeira que Também Ora…

Além do que me falaram na escola…

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em

Foto: Gelsiney Schell
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Outro dia, diante da bandeira do Brasil, deixei de olhá-la apenas com os olhos cívicos. Quis vê-la com o coração. E foi ali, parada no vento, que ela me falou. Não com palavras, mas com símbolos. Com formas. Com cores. Como um sussurro de eternidade disfarçado em tecido.

O fundo verde, retangular, remete ao “quadrado”, símbolo de solidez e daquilo que é estabelecido. Na tradição bíblica, o quadrado aparece no “Santo dos Santos” do Templo (1 Reis 6:20), onde Deus manifestava sua presença. Era um espaço quadrado, “perfeito, intocável”, o coração do sagrado. Também evoca os “quatro cantos da terra” (Isaías 11:12), que falam de abrangência universal, de um Deus que reina sobre todas as nações e povos.

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No centro, repousa um “losango amarelo”, inclinado, como quem se move entre mundos. O losango representa “passagem, transição, aliança”. Ele é quase uma flecha apontando para o alto, como se dissesse: “Erguei os olhos.” Na espiritualidade cristã, pode lembrar a ponte entre o humano e o divino — “Jesus Cristo”, o mediador, o elo que reconcilia céu e terra (1 Timóteo 2:5).

E, então, o “círculo azul” — sem começo nem fim — como o “Eterno”. Como o amor de Deus que nos envolve. Como a promessa que se cumpre em ciclos. O círculo é a forma do céu, da eternidade, da justiça que não falha. Os céus narram a glória de Deus (Salmos 19:1), e talvez aquele círculo azul seja um pedaço simbólico do firmamento onde se lê: “Ordem e Progresso” — um eco longínquo da filosofia positivista, mas que também poderia muito bem dizer: “Justiça e Paz se beijaram” (Salmos 85:10).

E então vêm as cores, cada uma contando sua própria parábola:

Verde: Esperança e renovação…

O verde, tão associado à natureza, é também cor de “vida nova, da ressurreição espiritual”. Em Ezequiel 34:14, Deus promete: “Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será a sua malhada; ali se deitarão em boa malhada e terão pastos bons.” O verde fala de “esperança no meio do caos”, da certeza de que a vida insiste e ressurge.

Amarelo: Glória e santidade…

O amarelo remete ao “ouro”, símbolo da presença de Deus. No tabernáculo, os utensílios sagrados eram feitos de ouro puro (Êxodo 25:11). O ouro fala de “glória, santidade e realeza”. É a cor que brilha no lugar santo, e também no trono de justiça. Quando o amarelo brilha na bandeira, é como se dissesse: “Sede santos, porque Eu sou santo” (Levítico 11:44).

Azul: Céu, revelação e fidelidade…

Na tradição judaica, o azul celeste (techelet) era usado nas franjas das vestes, conforme Números 15:38-39, para lembrar os mandamentos do Senhor. O azul é cor de revelação, de contemplação. É o azul das águas profundas, do céu aberto no batismo de Jesus (Mateus 3:16). Simboliza a “fidelidade de Deus’, que permanece geração após geração.

Branco: Pureza, redenção e luz…

O branco, símbolo de “pureza e perdão”, é recorrente na Bíblia. Em Isaías 1:18, Deus diz: “Ainda que os vossos pecados sejam como escarlate, se tornarão brancos como a neve.” No Apocalipse, os salvos vestem-se de branco (Apocalipse 7:9), porque foram lavados no sangue do Cordeiro. O branco é a cor da justiça reconciliada, da luz que afasta as trevas (João 1:5).

E entre tudo isso, a inscrição: “Ordem e Progresso”. Mas eu, confesso, sempre achei que faltava uma terceira palavra ali — talvez “Fé”. Porque sem fé, a ordem vira frieza, e o progresso vira vaidade. A fé é o que transforma símbolos em oração, cores em esperança, formas em profecia.

Quem sabe, ao tremular no vento, a bandeira do Brasil não esteja também orando? Quem sabe ela não seja um lembrete silencioso de que uma nação começa quando seu povo entende que tudo tem forma, cor, tempo… e sentido?

A pátria começa no coração. E talvez a nossa, sob os olhos de Deus, ainda esteja sendo bordada — com fios de justiça, esperança, eternidade e amor.

Autor: Gelsiney Schell.

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