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Eco emitido por buraco negro no centro da Via Láctea é detectado; ouça o som

Ruído do Sagitário A* – que é quatro vezes mais massivo que o Sol – emergiu de um longo período de dormência há cerca de 200 anos, liberando raios X

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Foto: Divulgação / Nasa
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Depois de conseguirem a primeira imagem já obtida do buraco negro Sagitário A* (Sgr A*) em maio de 2022, cientistas gravaram pela primeira vez a sonorização de um eco emitido pelo fenômeno supermassivo, que fica no centro da Via Láctea. O trabalho foi publicado nesta quarta-feira (21) na revista Nature.

Segundo a pesquisa, o buraco negro quatro vezes mais massivo que o Sol emitiu o eco de raios X há cerca de 200 anos, com uma intensidade que era pelo menos 1 milhão de vezes maior do que a emitida atualmente.

Charles Pinturas

A equipe de cientistas, liderada por Frédéric Marin, pesquisador do Centro de Pesquisa Científica da França (CNRS) no Observatório de Estrasburgo, utilizou no estudo o satélite Imaging X-ray Polarimetry Explorer (IXPE) da Nasa.

O equipamento foi, pela primeira vez, capaz de rastrear com grande precisão a polarização dessa luz de raios X e também sua fonte — algo antes considerado impossível. Como uma “bússola”, a luz polarizada aponta diretamente para o Sgr A*.

O buraco negro saiu de uma dormência, ficou ativo e engoliu objetos cósmicos que se aproximaram um pouco demais dele durante um período de um ano no início do século 19. Em seguida, ele adormeceu novamente. Nenhum efeito foi sentido na Terra, pois a distância entre Sgr A* e nosso planeta é muito grande: cerca de 2 bilhões de vezes a distância do nosso planeta ao Sol.

“A reflexão de raios-X do Sgr A* por gás denso na região do Centro Galáctico oferece um meio de estudar sua atividade de queima passada em escalas de tempo de centenas e milhares de anos”, escreveram os autores do estudo.

A detecção do eco emitido pelo buraco negro explica por que as nuvens moleculares galácticas perto dele brilham mais que o normal, aliás: é justamente porque elas refletem os raios X liberados há 200 anos pelo Sgr A*.

A partir do trabalho com este buraco negro, os cientistas estão agora investigando os mecanismos físicos necessários para qualquer outro fenômeno do mesmo tipo mudar de um estado de dormência (conhecido como quiescência) para um estado ativo.

Escute no vídeoabaixo a sonorização da detecção do eco emitido pelo buraco negro Sgr A*:

Bui Barbosa Rodapé
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