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Chefe da ONU denuncia promessas não cumpridas do Talibã sobre mulheres e meninas

Antonio Guterres pediu que países dinheiro Afeganistão para evitar seu colapso econômico. Enquanto isso, talibãs buscam reconhecimento internacional e ajuda para evitar um desastre humanitário

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| Foto: BULENT KILIC / AFP|
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O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, criticou na segunda-feira (11) as promessas “não cumpridas” do Talibã para mulheres e meninas afegãs, e pediu ao mundo para injetar dinheiro no Afeganistão para evitar seu colapso econômico.

“Estou especialmente preocupado ao ver que as promessas feitas às mulheres e meninas afegãs pelos talibãs não estão sendo cumpridas”, disse à imprensa.

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“Faço um apelo enérgico aos talibãs para que mantenham suas promessas às mulheres e meninas e cumpram suas obrigações em virtude dos direitos humanos internacionais e o direito humanitário”.

Enquanto isso, os talibãs buscam reconhecimento internacional e ajuda para evitar um desastre humanitário depois de voltarem ao poder em agosto no Afeganistão, após a retirada das tropas americanas e depois de 20 anos de conflito.

Uma delegação do grupo extremista se reunirá nesta terça-feira (12) com representantes da União Europeia (UE) em Doha, informou atual ministro das Relações Exteriores, Amir Khan Muttaqi.

Os afegãos já se reuniram com representantes do governo alemão e com um parlamentar britânico, afirmou Muttaqi em um evento organizado no Centro de Conflitos e Estudos humanitários do Catar.

“Queremos ter uma relação positiva com todo o mundo. Acreditamos em relações internacionais equilibradas. Acreditamos que essas relações equilibradas podem salvar o Afeganistão da instabilidade”, acrescentou Muttaqi.

No sábado e domingo, funcionários dos Estados Unidos se reuniram com representantes do Talibã no Catar para falar sobre segurança e direitos humanos no Afeganistão, disse o Departamento de Estado no domingo.

Mudanças para as mulheres

Ao assumir o controle do Afeganistão, em 15 de agosto, o grupo extremista islâmico disse que não impediria as mulheres de estudarem ou trabalharem, como era imposto até 2001, quando os Estados Unidos ocuparam o país.

Mas, desde à tomada do poder, o grupo determinou que todas as mulheres, exceto as do setor público de saúde, se afastassem do trabalho até que a “segurança do país” melhorasse.

Segundo reportagem da BBC, as universidades afegãs passarão a ser segregadas por gênero, e um novo código de vestimenta será adotado para as estudantes.

Até então, as alunas não tinham que obedecer a uma regra de vestimenta e as universidades eram mistas, com homens e mulheres estudando lado a lado.

Para o novo ministro do Ensino Superior, Abdul Baqi Haqqani, não haverá problemas em acabar com o sistema de ensino misto porque “as pessoas são muçulmanas e vão aceitar isso”.

O novo governo substituiu ainda o Ministério dos Assuntos da Mulher pelo Ministério da Virtude.

O temido departamento foi responsável, até o início dos anos 2000, por enviar a polícia religiosa às ruas para fazer cumprir uma interpretação radical da lei Sharia (lei islâmica). Tornou-se conhecido, por exemplo, por bater em mulheres acusadas de se vestir indecentemente ou de sair de casa sem um tutor.

A iminência da retomada do poder pelo Afeganistão levou diversas mulheres proeminentes a fugirem do país antes de meados de agosto. A maior cantora pop do país, Aryana Sayeed, viajou em um avião de carga dos EUA e a famosa diretora de cinema Sahraa Karimi foi levada para a Ucrânia.

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