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Índia bate novo recorde mundial de casos de Covid, que se espalha pelas áreas rurais do país

País concentra 49% dos infectados e 28% dos óbitos do mundo em 24 h. Em plena 2ª onda, o principal conselheiro científico do governo indiano já afirma que uma 3ª onda ‘é inevitável’

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Piras funerárias de 25 vítimas da Covid-19 em crematório a céu aberto criado em uma pedreira de granito nos arredores de Bengaluru, na Índia, em 5 de maio de 2021 — Foto: Aijaz Rahi/AP
Silveira institucional

A Índia registrou nesta quinta-feira (6) um novo recorde mundial de casos diários de Covid-19 (412 mil) e também o maior número de mortes do país (3.980), segundo dados oficiais do governo.

Os números do Ministério da Saúde indiano elevam o total de infectados para mais de 21,1 milhões e o de óbitos, para mais de 230 mil.

NM Empreendimentos – Linha Arara

O país foi responsável por 49% dos casos e 28% das mortes registradas no planeta nas últimas 24 horas, segundo dados do “Our World in Data”, projeto ligado à Universidade de Oxford.

Mas especialistas consideram que os números oficiais estão muito abaixo da realidade e que o pior cenário ainda vai acontecer dentro de algumas semanas.

O vírus está se espalhando pelo interior, nas áreas rurais, onde vivem 70% dos mais de 1,3 bilhão de habitantes do país, que é o segundo mais populoso do mundo.

“A situação se tornou perigosa nas aldeias”, diz Suresh Kumar, coordenador de campo da Manav Sansadhan Evam Mahila Vikas Sansthan, uma instituição de caridade de direitos humanos.

Kumar diz que “há mortes em quase todas as casas” em aldeias onde a instituição trabalha, no estado de Uttar Pradesh (onde vivem cerca de 200 milhões, quase a população inteira do Brasil).

“As pessoas estão com medo e amontoadas em suas casas com febre e tosse”, afirma Kumar. “Os sintomas são todos de Covid-19, mas sem nenhuma informação disponível muitos pensam que é gripe sazonal”.

Hospitais em colapso e crematórios lotados

A explosão no número de casos provocou o colapso dos hospitais, que enfrentam falta de leitos, remédios e oxigênio. Crematórios não conseguem atender ao volume de corpos nas grandes cidades.

Muitas pessoas morrem em casa ou na porta dos hospitais, à espera de um leito ou oxigênio. Parentes precisam pagar pelos insumos médicos dos internados e até pela lenha da cremação.

Diversas cidades têm feito cremações em massa e até a noite, e o número de cerimônias sob os protocolos da Covid-19 são muito maiores do que o de vítimas dos balanços oficiais do governo.

O colapso coincide com uma queda dramática na vacinação devido a problemas de abastecimento e entrega de doses, apesar da Índia ser o maior produtor de vacinas do mundo.

O colapso coincide com uma queda dramática na vacinação devido a problemas de abastecimento e entrega de doses, apesar da Índia ser o maior produtor de vacinas do mundo.

Terceira onda?

Ainda no meio da segunda onda, K. Vijay Raghavan, principal conselheiro científico do governo indiano, afirmou que uma terceira onda “é inevitável, dados os elevados níveis de contaminação atuais”.

“Não está claro exatamente quando acontecerá este terceiro episódio, mas temos que nos preparar para novas ondas”, afirmou Raghavan em uma entrevista coletiva.

Com a explosão de casos, novas variantes podem surgir. Há a suspeita que uma nova cepa do coronavírus, a B.1.617, tenha contribuído para a gravidade da segunda onda.

Problemas na vacinação

Para piorar, o país sofre com problemas em sua vacinação contra a Covid-19 mesmo sendo o maior produtor mundial de imunizantes.

Índia é o terceiro país que mais aplicou doses até o momento (157 milhões), atrás apenas de China (284 milhões) e Estados Unidos (247 milhões), mas o ritmo da vacinação tem caído drasticamente.

A média de vacinas administradas por dia caiu pela metade em menos de um mês, de um pico de 3,66 milhões no dia 10 de abril, quando o país chegou a superar os EUA, para 1,84 milhões atualmente.

Segundo país mais populoso do mundo, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, a Índia tem apenas 11,4 doses aplicadas a cada 100 habitantes, número inferior ao da China (19,7) e da média mundial (15,3).

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