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Lula candidato muda correlação de forças para o Planalto em 2022

Esquerda pode aderir ao projeto Lula

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Lula / Foto / Google
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Com a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin de retirar as ações penais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da 13ª Vara Federal de Curitiba, os processos passam a tramitar na Justiça Federal de Brasília, voltando à estaca zero. As condenações do petista foram, portanto, anuladas.

Na avaliação de Fachin, as ações não poderiam ter corrido em Curitiba porque os fatos apontados não têm relação direta com o esquema de desvios na Petrobras.

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O relator da Lava Jato no STF devolveu os direitos políticos de Lula, que fica liberado para concorrer à eleição presidencial em 2022 caso a decisão de Fachin seja mantida –o que é mais provável. Nesse caso, as forças políticas terão de passar por um realinhamento:

  • esquerda – vários partidos que buscavam nomes para a corrida presidencial (PSB, PC do B e outros) agora podem aderir ao projeto Lula;
  • PT em seu labirinto – o partido sonhava em finalmente se renovar. Nomes como o moderado governador da Bahia, Rui Costa, eram apresentados como possíveis candidatos para que sigla abandonasse seu paulicentrismo (com Fernando Haddad). Agora, se Lula estiver ficha-limpa e disposto, a vaga será dele. O PT nasceu em 1980 e completará mais de 40 anos prestigiando apenas um único líder;
  • Ciro Gomes – Lula é seu maior pesadelo. Com o petista candidato, Ciro verá o ex-presidente abduzindo seus potenciais eleitores do centro para a esquerda
  • Centro e outsiders – entidade que não existe (exceto na retórica), o “centro” também fica espremido entre o presidente Jair Bolsonaro e Lula. Em 2018, Geraldo Alckmin (PSDB) sentiu essa pressão e terminou com 4,76% dos votos. Outsiders da política, como o apresentador Luciano Huck, terão dificuldades para acumular forças e empinar uma candidatura;
  • PSDB e João Doria – os tucanos, que também se apresentam como “de centro”, acabam emparedados pelo cenário polarizado entre Bolsonaro e Lula. O governador de São Paulo terá de refletir com muito cuidado a respeito de suas chances para encontrar, como se diz hoje, um “lugar de fala” nessa disputa. Na noite dessa 2ª feira (8.mar.2020), Doria ensaiou seu discurso com 3 termos-chave: “radicais”“polarização” e “extremistas”.

ANÁLISE

É precipitado apontar que Lula e Bolsonaro têm mais ou menos as mesmas chances na corrida pelo Planalto em 2022. Mas a disputa fica em aberto.

De fato, há uma tendência à polarização Bolsonaro-Lula. Mas, como a marca da política brasileira é a imprevisibilidade, o cenário pode mudar.

Faltam 19 meses para a eleição. Nunca na história moderna das eleições presidenciais alguém conseguiu prever quem seria escolhido com 19 meses de antecedência.

Em 1988, ninguém achava que Fernando Collor seria eleito presidente em 1989. Em 1993, Fernando Henrique Cardoso se preparava para concorrer a deputado federal porque ninguém acreditou que ele seria o vencedor em 1994.

Em 2001, o PT procurava um nome alternativo, pois “Lula nunca iria ganhar”, depois de tantas derrotas sucessivas (1989, 1994 e 1998). Mas, assim como o socialista francês François Mitterrand, que acumulou várias derrotas antes de vencer, Lula acabou eleito em 2002.

No início de 2009, Dilma Rousseff parecia não ter lugar. Depois de enfrentar um câncer, a petista ganhou em 2010.

Em 2017, poucos poderiam cravar que Bolsonaro seria presidente.

Ou seja, é muito cedo para previsões peremptórias a respeito de 2022. Só se sabe que Lula agita o cenário.

FONTE: Poder 360

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