Policial e Trânsito
Moradores cobram fim da “cracolândia” e pedem mais segurança no bairro Augusto
Polícias prometem intensificar ações e pedem colaboração da população com denúncias
Audiência pública realizada na noite de ontem (30) pela Câmara Municipal de Marechal Cândido Rondon expôs uma crise de segurança pública nos bairros Augusto I e II e arredores, onde está ocorrendo o aumento de furtos, arrombamentos, tráfico, prostituição e a formação de “minicracolândias”.
Os relatos apresentados pela população durante o evento revelam um cenário onde cidadãos de bem se sentem “presos” em suas casas, enquanto criminosos e usuários de drogas dominam espaços públicos, como a pista de bicicross, calçadas e pontos de ônibus.
“Hoje a gente imagina a cracolândia lá em São Paulo. Mas não, está aqui, na esquina das nossas casas”, desabafou um morador.
“O meu filho de 10 anos já sabe o que significa um ‘noiado’. Parece o filme Walking Dead. Uma pessoa usando a droga aqui, outra escondida e alucinada atrás do poste. Eu ando com canivete dentro da bolsa para me proteger”, disse uma mãe.
“Eles têm a cara de pau de ameaçar e intimidar pessoas sem o menor pudor. Chegou a um limite”, anunciou um trabalhador.
“A gente não pode ficar refém disso em hipótese alguma”, disse outro.
Presenças
De iniciativa do Poder Legislativo, a audiência pública foi presidida pelo vereador Policial Fabio, estando também presentes os parlamentares Sargento Spohr, Coronel Welyngton, Carlinhos Silva, Iloir Padeiro, Juliano Oliveira, Marciane Specht, Marciel Escher, Rafael Heinrich, Tania Maion e Cristiano Metzner (Suko), que reassumiu hoje sua cadeira na Casa de Leis.
Além deles, o delegado de Polícia Civil, Anderson Santana; o comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar, Paulo Rolon de Lima; o vice-prefeito Vanderlei Sauer; o secretário de Saúde, Leandro Dalamaria; o capitão Lucas Gabriel Schlogl, do Corpo de Bombeiros; o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Fernando de Oliveira; e representantes do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) fizeram parte da audiência pública.
Pedido de socorro
No entendimento do vereador Coronel Welyngton, “a comunidade pede socorro”. Para ele, esta é uma situação emergencial em que a polícia precisa dar uma resposta.
Em suas falas, as autoridades políticas e policiais manifestaram preocupação e disposição para resolver a demanda dos moradores. Mas, por outro lado, foram apresentadas críticas a fatores que favorecem o surgimento dessas situações que geram medo e perigo.
O vereador Policial Fábio lamentou que Marechal Cândido Rondon, cidade de aproximadamente 60 mil habitantes, conte com apenas quatro policiais militares de plantão para fazer o patrulhamento e defender as residências. Ele destacou que essa defasagem sobrecarrega as equipes e torna o patrulhamento constante quase impossível.
Outro ponto comum e enfático dos discursos foi o descontentamento em relação à atual legislação, que muitas vezes permite a soltura quase imediata de criminosos e traficantes presos até mesmo em flagrante, gerando um ciclo repetitivo de prisões e reincidência.
O comandante da Polícia Militar utilizou a metáfora de “enxugar gelo” para descrever o trabalho da tropa. Ele citou o caso de um “ladrão popular” na cidade que comete em média cinco furtos por dia para sustentar o vício e que recentemente, ao ser solto da delegacia, furtou uma bicicleta no caminho de volta para casa.
Por sua vez, o delegado da Polícia Civil relatou que um casal de traficantes de crack, preso com 260 g da droga, foi liberado no dia seguinte por decisão judicial.
Eles acrescentaram que o mapeamento da criminalidade identificou que o problema é cíclico. Ou seja, quando a polícia atua em um local, os usuários e traficantes migram estrategicamente para outros pontos.
O delegado Anderson Santana e o capitão Paulo Rolon argumentaram que a solução vai além das forças policiais e requer apoio dos setores de saúde pública e da assistência social. Isso porque, sob a legislação atual, o usuário de drogas é visto como um doente e não pode ser mantido preso.
Deliberação
Ao final do encontro, os comandantes das Polícias Civil e Militar garantiram à população que as ações serão reforçadas. Ao mesmo tempo, pediram o auxílio por meio de denúncias pelos telefones 190 (emergência), 181 (denúncia anônima) e pelo WhatsApp da PM (41 99952-21388) e da Polícia Civil (45 3284-8450).
A deliberação final da audiência pública foi para a elaboração de um relatório com todas as demandas e sugestões apresentadas pela comunidade e autoridades. Esse documento será encaminhado oficialmente pelo Poder Legislativo às autoridades do município, incluindo o Poder Judiciário e o Ministério Público, para exigir providências.




