Política
Decoração de R$ 1,1 milhão é arrancada na FOICE em Marechal Rondon; veja o vídeo
Cenas de desmontagem revoltam população e colocam gestão municipal sob pressão
Marechal Cândido Rondon amanheceu perplexa. O cenário que tomou conta das ruas nesta semana não foi o brilho das luzes natalinas, mas imagens de destruição, improviso e desrespeito ao dinheiro público. Enquanto o contribuinte ainda paga a conta de uma decoração que custou mais de R$ 1,1 milhão, o que se vê é o material sendo arrancado de forma brutal, na base da foice, como se não tivesse valor algum.
Imagens obtidas com exclusividade pelo Portal Rondon mostram funcionários da empresa Lepin Decora LTDA, vencedora da licitação do Natal, desmontando a iluminação de forma absolutamente incompatível com o valor do contrato e com qualquer padrão técnico aceitável.
Não se trata de força de expressão. É literal. Em pleno 2026, em uma cidade que se orgulha de sua organização e desenvolvimento, estruturas elétricas, mangueiras de LED e materiais ainda em perfeito funcionamento estão sendo arrancados como se fossem entulho ou mato à beira da estrada.
Um contrato milionário tratado com desprezo
A equipe do Portal Rondon analisou o Pregão Eletrônico nº 70/2025 e o Contrato Administrativo nº 487/2025, assinado pelo prefeito Adriano Backes e pela Secretária Municipal de Cultura Elenice Hachmann Sauer, esposa do vice-prefeito Vanderlei Sauer. Os números ajudam a explicar a indignação popular: foram R$ 1.127.500,00, pagos com recursos públicos, parte deles oriundos de royalties da Itaipu.


Diante disso, a pergunta é inevitável:
Como um contrato de mais de um milhão de reais permite uma desmontagem tão rudimentar, agressiva e aparentemente destrutiva?
Onde está o planejamento técnico?
Onde estão os fiscais do contrato?
Onde está o zelo com o patrimônio que, mesmo sendo locado, foi pago com dinheiro do cidadão?
Falha de gestão e risco ambiental
A opção da administração municipal pelo modelo de locação, em vez da aquisição do material, escancara um problema ainda maior. Ao não exigir protocolos claros, rígidos e fiscalizáveis para desmontagem, reaproveitamento e descarte correto, o poder público abriu espaço para o que agora se vê: destruição sem critério e sem responsabilidade.
Mais grave ainda é o impacto ambiental. Estamos falando de resíduos eletrônicos, fios, lâmpadas e estruturas que claramente ainda funcionam. Arrancá-los “na foice” não é apenas descaso administrativo é um atentado contra qualquer discurso de sustentabilidade que o município tente sustentar em eventos oficiais.
A empresa, ao agir dessa forma, demonstra não se preocupar nem com o meio ambiente nem com o reaproveitamento de materiais. E o governo municipal, ao permitir esse cenário, falha duplamente: na gestão do contrato e na fiscalização da execução.
Respeito ao dinheiro público não é opcional
O chamado “Natal Luz e Encanto” terminou em trevas, indignação e metal retorcido. O que deveria ser um encerramento organizado virou um retrato simbólico de como o dinheiro público pode ser tratado quando faltam critérios, exigências técnicas e fiscalização rigorosa.
Marechal Cândido Rondon merece respeito.
O contribuinte merece explicações.
E o dinheiro público não pode ser tratado como capim a ser ceifado depois da festa.

Este texto foi escrito por Josoé Pedralli, advogado e jornalista, que assina a coluna de opinião analisando criticamente a gestão pública e os reflexos jurídicos e políticos dos principais fatos da atualidade.
Leia também: Papai Noel reprova gestão Backes: Claudinho e Anderson Bento completam a lista dos “meninos malvados” – Portal Rondon
Leia também: A esquerda de Lula clama por prisão de Bolsonaro e chora por Maduro: uma esquizofrenia moral – Portal Rondon




