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A esquerda de Lula clama por prisão de Bolsonaro e chora por Maduro: uma esquizofrenia moral

Por Josoé Pedralli

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O contraste entre o combate a suposta tentiva de golpe de Bolsonaro e a defesa cega da ditadura de Maduro: O mundo assiste, atônito, à queda de um dos regimes mais sanguinários e corruptos da história moderna. A captura de Nicolás Maduro em Caracas, no último sábado (3), não apenas encerra um capítulo de trevas para o povo venezuelano, mas também arranca as máscaras da hipocrisia política que ainda teimam em flutuar sobre o território brasileiro.

O início de 2026 ficará marcado nos livros de história como o momento em que a realidade bateu à porta da América Latina com a força de uma operação militar. A extradição de Maduro para os Estados Unidos é um divisor de águas que expõe as vísceras da nossa política externa e as contradições éticas de um setor que opera sob dois pesos e duas medidas.

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A postura adotada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva e pelo Partido dos Trabalhadores (PT) diante deste evento histórico é um estudo de caso sobre dissonância cognitiva. Enquanto o Palácio do Planalto e a cúpula petista classificam a operação como um “sequestro” e uma “afronta gravíssima à soberania”, os mesmos atores clamam, diariamente, pelo encarceramento de Jair Bolsonaro sob a acusação de “atentado contra a democracia”.

Como advogado e observador dos movimentos geopolíticos, vejo com preocupação essa tentativa de construir um “vitimismo soberano”. De um lado, defendem com unhas e dentes e com razão jurídica que as instituições brasileiras devem punir severamente qualquer tentativa de ruptura democrática interna, como as investigações que pesam sobre Bolsonaro. Do outro, ao cruzarem a fronteira, as mesmas vozes que clamam por “democracia” se apressam em emitir notas de solidariedade a um regime que transformou a Venezuela em um laboratório de exceção jurídica e crise humanitária.

O Teatro do Absurdo: Dois Pesos, Duas Medidas

A contradição é tão gritante quanto perigosa. No Brasil, a esquerda defende que as instituições devem ser implacáveis contra qualquer sombra de golpismo. Contudo, quando o golpismo é exercido por um “companheiro” que fraudou eleições comprovadamente, conforme relatórios internacionais ignorados por Brasília, a palavra de ordem muda de “justiça” para “autodeterminação dos povos”.

  • Para Bolsonaro: Prisão por suposta tentativa de golpe, defesa intransigente das instituições e da lei.
  • Para Maduro: Solidariedade contra o “imperialismo”, reconhecimento de sua vice-presidente como sucessora legítima e silêncio cúmplice sobre as câmaras de tortura, o narcoterrorismo e a miséria que expulsou 8 milhões de pessoas de suas casas.

Ao reconhecer Delcy Rodríguez como “chefe interina” enquanto contesta a prisão do titular da chapa, o Itamaraty mergulha em um labirinto diplomático sem saída lógica: como pode a eleição ser válida para a vice, mas a deposição do presidente ser “ilegal”?

A Soberania como Escudo para a Tirania

O argumento da soberania nacional, brandido pelo PT, soa como um escárnio para as vítimas do chavismo. Sob uma análise jurídica mais densa, cabe perguntar: existe soberania legítima em um Estado onde o processo eleitoral é uma ficção e o aparato estatal é aparelhado pelo crime organizado? A soberania não pode ser um salvo-conduto para a opressão. Quando o governo brasileiro questiona a legalidade da prisão de um ditador denunciado em tribunais internacionais, ignora que a vontade do povo venezuelano foi sequestrada muito antes da chegada das forças estrangeiras.

A verdade é que, para a esquerda brasileira, o termo “soberania” serve como um escudo moral para proteger déspotas ideologicamente alinhados, enquanto a “democracia” é uma ferramenta retórica usada apenas quando convém para eliminar adversários internos.

A Encruzilhada da Coerência

O que assistimos hoje é uma esquizofrenia ideológica. Para o cenário doméstico, exige-se o rigor da lei contra “golpistas”. Para o aliado em Caracas, a lei internacional é ignorada em favor de um antiamericanismo anacrônico. Essa postura retira a autoridade moral de quem se diz guardião da liberdade. Não se pode ser democrata apenas “dentro de casa”.

A política externa do Brasil hoje parece refém de uma visão de mundo onde o “companheirismo” fala mais alto que os fatos. A história é implacável. No futuro, quando os arquivos de Caracas forem totalmente abertos e as feridas daquela nação começarem a cicatrizar, as notas de repúdio emitidas em Brasília serão lembradas não como atos de bravura diplomática, mas como evidências de uma miopia política que preferiu o dogma à liberdade.

A justiça, para ser plena, não pode escolher lado. Se defendemos a lei contra ameaças à democracia no Brasil, devemos, por coerência, celebrar quando um tirano finalmente presta contas ao tribunal. O povo brasileiro e o venezuelano merecem uma liderança que saiba distinguir entre a defesa da lei e a blindagem de tiranos. Qualquer coisa fora disso é apenas conveniência.

Para uma compreensão mais profunda das implicações imediatas deste imbróglio diplomático, recomendo a análise detalhada apresentada pela Jornal Cultura. O vídeo abaixo expõe o dilema vivido pelo Palácio do Planalto e a pressão internacional crescente para que o governo brasileiro finalmente abandone a retórica das “narrativas” e encare a realidade brutal do regime venezuelano. É um material indispensável para entender como a omissão de hoje pode custar o prestígio internacional do Brasil amanhã.

Josoé Pedralli atua na advocacia e assina a coluna de opinião do Portal Rondon, onde analisa os reflexos jurídicos e geopolíticos da atualidade

Leia também: O Crepúsculo do Tirano: A Queda de Maduro e o Choque de Realidade na América Latina – Portal Rondon

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