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Deputado que apontou desvio em orçamento secreto admite ter recebido recursos, mas nega ter feito acusações

José Rocha nega ser delator e diz não ver crime em ações de Arthur Lira, após ter relatado caso à PF

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Foto: Catve.
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Em entrevista à coluna Metrópoles, o deputado federal José Rocha (União-BA) reconheceu ter sido beneficiado pelo mecanismo conhecido como “orçamento secreto”, afirmando que a prática era comum a todos os parlamentares. Rocha é a principal testemunha da investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura a distribuição desses recursos.

O parlamentar, no entanto, negou veementemente ter atuado como “delator” no caso relatado pelo ministro Flávio Dino. Ele também afirmou não ver crime nas ações que relatou à Polícia Federal, as quais incluíram menção ao então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e à sua então assessora, Mariangela Fialek, a Tuca.

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Na entrevista, Rocha detalhou conflitos sobre listas de indicação de emendas orçamentárias. Ele afirmou que, ao presidir a Comissão de Integração Nacional, recebeu do gabinete de Lira uma segunda lista que destinava R$ 320 milhões para Alagoas sem a devida identificação, o que o levou a reter o documento. Questionado repetidamente sobre o destino final desses recursos, o deputado respondeu que “não sabe” e que “presidente de comissão não mexe com recurso”.

Sobre a participação de Arthur Lira e sua assessora, Rocha foi enfático ao isentá-los de acusações diretas: “Eu não [vejo crime]. Nenhum”, disse, ao ser questionado. Sobre Tuca, afirmou: “Ela é apenas uma funcionária que recebe ordem do presidente”. E completou: “Nunca acusei [o Lira de participar de esquema de corrupção]”.

A reportagem da coluna Metrópoles havia revelado anteriormente que José Rocha tentou direcionar sozinho R$ 152 milhões do orçamento secreto, sendo R$ 88 milhões para a Bahia, sua base eleitoral, em desacordo com um suposto acordo entre líderes partidários.

Ao longo do diálogo, o deputado demonstrou irritação com a linha de questionamento, negou ter elaborado listas paralelas e atribuiu o bloqueio das emendas não identificadas a uma decisão do ministro Flávio Dino após uma reportagem da revista Piauí.

A relação com Arthur Lira foi outro ponto abordado. Rocha contou que um desentendimento ocorreu quando Lira não autorizou sua viagem para uma conferência climática (COP), e afirmou que, desde então, deixou de falar com o então presidente da Casa. “Ele é que deve me ter como inimigo, eu não”, concluiu.

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