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A história de Inácio, o galo que tomava insulina

Resgatado de situação de maus-tratos, ave foi diagnosticada com diabetes

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Foto: Arquivo pessoal de Fernanda Bischoff.
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A história de Inácio, um galo que viveu em Marechal Cândido Rondon, chama a atenção pelo cuidado, pela ciência e pelo afeto envolvidos em sua trajetória. O caso teve início em maio de 2023, quando a médica veterinária Fernanda Bischoff, que à época atuava na Clínica Veterinária Espaço Animal, recebeu uma protetora de animais denunciando uma situação de maus-tratos e abandono em um sítio.

No local, diversos animais haviam sido deixados à própria sorte, entre eles cães, ovelhas, porcos e aves. Entre os animais resgatados estava uma galinha com dez pintinhos. Quatro não resistiram às condições de fome e doença, restando seis filhotes. A protetora buscava alguém que pudesse adotar a galinha Marilú e os pintinhos, e Fernanda, conhecida pelo amor aos animais especialmente às aves decidiu acolhê-los.

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Levados para casa, os animais apresentavam graves problemas de saúde e foram diagnosticados com bouba aviária, (veja as imagens abaixo) uma doença viral que afeta aves, provocando lesões na pele, dificuldades respiratórias e podendo levar à morte. Apesar dos cuidados, apenas três pintinhos sobreviveram, sendo duas fêmeas, Galochinha e Magali, e um macho: Inácio.

Com o passar do tempo, Fernanda percebeu que Inácio, já jovem, apresentava sinais incomuns. Ele comia muito, bebia água em excesso e não ganhava peso. A veterinária identificou nele os chamados “quatro Ps” da diabetes: poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso, sinais observados em diversas espécies, inclusive em humanos.

  • Poliúria: o animal urina muito. Em aves, isso é difícil de notar, pois a urina é eliminada junto com as fezes, podendo ser confundida com diarreia.
  • Polidipsia: ingestão excessiva de água. Inácio chegava a acordar durante a noite para beber água.
  • Polifagia: aumento do apetite, com ingestão excessiva de alimento.
  • Perda de peso: mesmo se alimentando bastante, não ganhava peso.

Outro detalhe chamou a atenção: formigas eram atraídas pela urina da ave, um indicativo da presença de glicose. Exames e observações clínicas levaram ao diagnóstico de diabetes, condição rara, mas possível em aves. Devido ao emagrecimento severo, Inácio também apresentava o chamado “peito seco”, sinal de perda de musculatura peitoral, comum em aves debilitadas.

Fernanda iniciou então um protocolo rigoroso de cuidados, sempre baseado em acompanhamento técnico. Ela destaca a importância de não medicar animais sem exames prévios, alertando que vermífugos, por exemplo, só devem ser administrados após exames coproparasitológicos (exame de fezes), para identificar a presença de parasitas e, somente então, utilizar a medicação adequada. Também foram investigadas outras possíveis doenças.

Diante do diagnóstico, surgiu a dúvida:
“Como Inácio pode ter diabetes se galos não comem açúcar?”

Fernanda explica que a diabetes é uma doença multifatorial, ou seja, pode ter origem em diversos fatores, como genética, má alimentação, lesões internas ou tumores. Por isso, é difícil determinar exatamente a causa do desenvolvimento da doença em Inácio.

Inácio passou a receber insulina injetável diariamente, sempre sob orientação veterinária. Segundo Fernanda, aves possuem níveis naturais de glicose mais elevados do que os mamíferos, o que exige atenção redobrada no tratamento. Antes da medicação, o galo apresentava episódios de fraqueza, desmaios, síncopes e convulsões, que foram controlados com o tratamento adequado.

Com o tempo, Inácio se acostumou à rotina e chegou a aguardar na porta o horário da aplicação da insulina, tornando-se um símbolo de superação e cuidado responsável com os animais.

Fim trágico

A história, no entanto, teve um desfecho triste. No dia 18 de agosto, Inácio morreu após ser atacado por dois cães que invadiram o quintal da residência, um chow-chow e um pitbull. O cercado foi danificado, e o galo sofreu ferimentos graves. Apesar de ter sido levado rapidamente à clínica veterinária, não resistiu.

Atualmente, a galinha Magali estava chocando ovos e essa semana nasceram os sobrinhos do galo Inácio.

Fernanda Bischoff é médica veterinária formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com pós-graduação em Atendimento de Animais Silvestres pela Faculdade Unyleya. Trabalha na Aquad’arte, especializada em peixes ornamentais, aquários e produtos pet, e presta atendimento a animais silvestres e exóticos (abaixo Fernanda com alguns de seus pacientes) em parceria com a Clínica Veterinária Espaço Animal.

Para agendar uma consulta, é possível entrar em contato com a Clínica Veterinária Espaço Animal pelo telefone (45) 99919-7474.
Já para clínicas interessadas em oferecer atendimento diferenciado a animais silvestres e exóticos, o contato com a Aquad’arte é pelo número (45) 99822-8744.

A história de Inácio deixa um legado de conscientização, empatia e responsabilidade, mostrando que cuidado e ciência podem transformar vidas independentemente da espécie.

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