Policial e Trânsito
Saiba tudo sobre o caso Icaraíma: carta anônima e descobertas em bunker mudam rumo das investigações
Após 40 dias do desaparecimento de quatro homens, a polícia encontra veículo deles enterrado em área rural; vestígios de sangue e tiros reforçam hipótese de execução, e autoridades investigam se corpos foram carbonizados
O mistério em torno do desaparecimento de quatro homens em Icaraíma, no noroeste do Paraná, ganhou um novo e dramático rumo. Após 40 dias de buscas intensas, uma carta anônima entregue à família de uma das vítimas levou a polícia a encontrar a picape usada pelos homens, enterrada em um bunker em uma área rural do município. As evidências encontradas no veículo, como vestígios de sangue e marcas de tiros, colocam a investigação mais próxima de um desfecho, que é tratado pela Polícia Civil como homicídio.

Relembre o Caso: A Cobrança de Dívida que Acabou em Desaparecimento
O caso se iniciou no dia 5 de agosto, quando Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso, todos de São Paulo, se encontraram com Alencar Gonçalves de Souza, morador de Icaraíma. Alencar havia contratado os três homens para realizar a cobrança de uma dívida.
Imagens de segurança mostram os quatro juntos antes de desaparecerem. Segundo o delegado Gabriel Menezes, eles fizeram o primeiro contato com o devedor e marcaram um retorno para o dia 6 de agosto, por volta das 12h. A partir desse momento, os quatro ficaram incomunicáveis, e não se teve mais notícia deles.
A Virada: Uma Carta Anônima com Detalhes Chocantes
A investigação, que durou mais de um mês com buscas e o uso de cães farejadores, teve sua principal reviravolta na sexta-feira (12), graças a uma carta anônima. O bilhete foi deixado em frente à casa do pai de Alencar, apelidado carinhosamente de “Carlito”, um detalhe que sugere que o autor da mensagem tinha intimidade com a família.
A carta, escrita em uma folha de papel e embrulhada em um saco plástico para ser protegida da chuva, indicava que “os corpos dos homens estão no sítio […] Estrada da Jundiá na Mata do Tenente dentro do carro enterrado”. O texto ainda dava uma localização específica, a 500 metros de uma “igrejinha a esquerda”, e afirmava que a informação foi obtida de um suspeito.
Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores é que o autor do bilhete mencionou os corpos e o sítio, mas não o carro, o que reforça a hipótese de que ele detém informações privilegiadas sobre a execução do crime.
A Descoberta: Picape Encontrada com Vestígios de Violência
Com a valiosa pista da carta, equipes da Polícia Militar Ambiental foram até o local e notaram uma irregularidade no terreno. Após escavações, encontraram uma lona que cobria a lataria de um veículo. Tratava-se de uma picape Fiat Toro, a mesma usada pelas vítimas.

O veículo foi encontrado em um bunker a cerca de nove quilômetros de uma propriedade que pode ter relação com o crime. Segundo o tenente da PM-PR Guilherme Schnaider, foram encontrados vestígios de sangue e marcas de disparos de arma de fogo no interior do carro. Um objeto com o nome de uma pessoa também foi apreendido para perícia.
Hipóteses da Polícia: Execução e Carbonização
Para o delegado Gabriel Menezes, as perfurações no veículo sugerem que as vítimas podem ter sido alvejadas dentro do carro, com a utilização de mais de uma arma de fogo.
Apesar de o veículo ter sido encontrado, os corpos das vítimas ainda não foram localizados. A polícia trabalha com a hipótese de que os corpos foram carbonizados e enterrados em outro local, numa tentativa de ocultar as provas e dificultar a elucidação do crime.
As equipes da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar reiniciaram as buscas neste sábado (13), com auxílio de uma escavadeira para remover galhos e vegetação da área. A investigação corre sob sigilo, mas o delegado Gabriel Menezes se mostrou otimista, afirmando que os trabalhos estão “bem encaminhados”.
Até o momento, os principais suspeitos do crime, Antonio Buscariollo e seu filho Paulo Ricardo Buscariollo, permanecem foragidos. As autoridades seguem em busca dos corpos e de novos elementos que possam levar à prisão dos responsáveis por um dos casos mais complexos e violentos já registrados na região.




