Política
Suspender a vereadora bolsonarista Tania Maion pode ser um tiro no pé político para o prefeito Adriano Backes e a primeira-dama Andria Backes.
A decisão, segundo a defesa, foi motivada por um discurso da vereadora que teria incomodado a primeira-dama
O Conselho de Ética da Câmara de Vereadores de Marechal Cândido Rondon, em reunião nesta segunda-feira (4), recomendou a suspensão do mandato da vereadora Tania Aparecida Maion (Republicanos) por 30 dias. A denúncia que deu início ao processo foi protocolada pelo prefeito Adriano Backes (PP) e coloca em evidência a crescente tensão política com a vereadora, que é conhecida por seu forte alinhamento com o bolsonarismo.
A recomendação foi aprovada por 3 votos a 0, com o voto do relator Marcos Spohr (PL) sendo acompanhado pelo vereador Coronel Welyngton (União Brasil), presidente do Conselho e vereador membro.
Apesar do parecer, a defesa de Tania Maion, liderada pelo advogado Alexandre Gregório da Silva, argumentou veementemente que o processo se trata de perseguição política. Segundo o advogado, a denúncia não seria pela visita à instituição, mas sim por um discurso de crítica que a vereadora fez na tribuna, o que, de acordo com ele, possui imunidade parlamentar.
Ele citou que o discurso teria incomodado a primeira-dama e secretária de Assistência Social, Andria Backes, que é a esposa do prefeito. “O que está em julgamento não é o que ela fez, mas o que ela disse. E isso é gravíssimo num Estado Democrático”, afirmou Gregório.
A vereadora também se manifestou, demonstrando “surpresa e indignação” com o resultado do relatório. Ela reforçou que agia em seu papel de fiscalização e relatou ter sido destratada pela própria primeira-dama em um episódio anterior à denúncia.
A medida do prefeito contra a vereadora, que se tornou a voz mais bolsonarista da Câmara, tem sido vista por muitos como uma manobra com alto custo político. A base de eleitores que se identifica com o discurso de Tania Maion de fiscalização e combate à “velha política” pode interpretar a denúncia como um ato de perseguição e censura, prejudicando a imagem do prefeito Adriano Backes e da primeira-dama junto a um segmento importante do eleitorado de Marechal Rondon.
A matéria agora segue para a Comissão de Justiça e Redação, que verificará a regularidade do trâmite. Após essa etapa, o processo será encaminhado ao plenário da Casa para a votação final. Para que a suspensão seja confirmada, serão necessários 7 votos favoráveis dos vereadores.




