Política
Com voto do PT: Prefeito Adriano Backes não mede esforços em sua caçada pessoal (vingança) para suspender Vereadora (Bolsonarista) Tânia Maion
Ultimato a vereadores: “Ou vota para afastar, ou está fora do grupo”. O prefeito ainda estaria disposto a mandar vereadores suplentes para casa, forçando os titulares a reassumir apenas para garantir um voto favorável à suspensão
Em manobra política, Backes, que se elegeu junto com a vereadora Tânia Maion em seu grupo, terá apoio de petista para calar a voz bolsonarista.
Em uma reviravolta digna dos mais acirrados enredos políticos, o prefeito Adriano Backes (PP) parece estar cruzando uma linha perigosa em sua cruzada contra a vereadora Tânia Maion (Republicanos). O que começou como uma denúncia por quebra de decoro se transformou em uma caçada pessoal, com o prefeito disposto a tudo para suspender a vereadora, inclusive buscando apoio em setores que antes seriam impensáveis para sua base política.
A situação ganha contornos de traição política. Afinal, a vereadora Tânia Maion, a voz mais bolsonarista da Câmara, foi eleita no mesmo grupo político que Backes em 2020. Juntos, eles compartilhavam a chapa e o apoio do mesmo eleitorado. No entanto, a fiscalização rigorosa de Tania, que incomodou o executivo, parece ter sido o preço a pagar pela lealdade.
O que a primeira-dama, Andria Backes, deixou escapar em oitivas na Comissão de Ética se tornou a chave para desvendar o real motivo da denúncia: o incômodo não era com a visita à Casa Lar, mas sim com o discurso crítico da vereadora na tribuna. Uma confissão que desnudou a perseguição pessoal por trás de um suposto ato de decoro.
A sede de vingança do prefeito é tamanha que ele não tem poupado esforços nem em sua própria base. Nos bastidores, a pressão é intensa. Backes teria convocado vereadores aliados para uma reunião, onde, em uma atitude de puro autoritarismo, teria dado um ultimato:
“Ou vota para afastar, ou está fora do grupo”. O prefeito ainda estaria disposto a mandar vereadores suplentes da sua base para casa, forçando os titulares a reassumir apenas para garantir um voto favorável à suspensão, numa clara demonstração de que a fidelidade política é mais importante do que o diálogo.

É neste cenário de fragilidade e desespero que surge interesses alinhados entre a gestão Backes e o PT. O vereador Fernando Nègre (PT), que se consolidou na Câmara de Vereadores por seu excelente trabalho, sua postura articulada e seu notável empenho em pautas sociais e comunitárias, parece ter se alinhado aos interesses do prefeito para que a suspensão de Tânia se torne realidade.
A união de mãos dadas entre Backes e o PT nesse momento para suspender Tânia, expõe claramente a sede de vingança de Adriano Backes. O que se percebe, é uma equipe fraca e despreparada da gestão de Backes para lidar com a Câmara e tenta agora de qualquer forma resolver suas crises com uma canetada e com o voto do PT para atingir seus objetivos escusos.
Essa manobra, no entanto, pode sair caro para o prefeito. Ao se associar a uma força política com a qual não deveria se alinhar e ao perseguir uma vereadora com forte apoio popular, Backes corre o sério risco de perder o voto dos bolsonaristas nas próximas eleições, que verão na suspensão de Tânia Maion a confirmação de que o prefeito é um perseguidor e um inimigo de seus ideais.
O fogo que o Prefeito Adriano Backes ateou na política rondonense pode, no futuro, acabar consumindo a sua própria gestão.




