Agronegócio
‘Tarifaço’ dos EUA pode causar prejuízo de até R$ 4,3 bilhões ao setor de suco de laranja; entenda
Taxa de 50% sobre exportações brasileiras entra em vigor nesta sexta-feira (1º)
O setor brasileiro de suco de laranja pode perder até R$ 4,3 bilhões por ano com a nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, segundo estimativa da Associação Nacional das Indústrias Exportadoras de Sucos Cítricos (CitrusBR), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A medida, anunciada pelo governo de Donald Trump, entra em vigor nesta sexta-feira (1º).
O impacto estimado de US$ 792 milhões por safra representa um aumento de 456% em relação aos impostos pagos atualmente, que somaram US$ 142,4 milhões na temporada 2024/25. A projeção considera o desempenho da safra encerrada em 30 de junho e inclui as tarifas de acesso ao mercado americano.
Os Estados Unidos foram o segundo maior destino do suco brasileiro na safra mais recente, com 41,7% de participação, atrás apenas da Europa. No período, foram exportadas cerca de 308 mil toneladas ao país, equivalentes a 85 milhões de caixas de 40,8 quilos, gerando US$ 1,31 bilhão em receita.
A nova alíquota se soma a um cenário já pressionado. Desde abril, o setor enfrenta uma tarifa adicional de 10% sobre as exportações aos EUA, o que, segundo a CitrusBR, já representava perdas de mais de R$ 1 bilhão anuais. Caso a nova tarifa substitua, e não se acumule à anterior, o prejuízo ainda seria significativo: US$ 635 milhões por safra, uma alta de 346% frente ao cenário atual.
Atualmente, o suco brasileiro já é tributado com uma taxa fixa de US$ 415 por tonelada no mercado americano. A escalada tarifária afeta de forma direta toda a cadeia produtiva, uma vez que, segundo a associação, não há mercados alternativos com capacidade de absorver o volume exportado aos EUA no curto prazo.




