Agronegócio
Moscas na Mira: Pato Bragado Lidera Debate Regional por Soluções no Agro
Evento inédito reúne Itaipu, ADAPAR, cooperativas e produtores para enfrentar desafio comum
Na ensolarada Pato Bragado, no coração do Oeste paranaense, um encontro singular sinalizou um movimento estratégico para o futuro do agronegócio regional. O 1º Encontro da Cadeia Agroindustrial do Suíno e Bovinocultura de Leite de Responsabilidades Compartilhadas, uma iniciativa louvável da Prefeitura Municipal, em nome do Prefeito John Nodari e do Secretário de Agricultura e Meio Ambiente Geovane Luis Fincke, transcendeu a mera formalidade de um evento. Consolidou-se como um palco de convergência de ideias e esforços, reunindo a espinha dorsal do desenvolvimento local: a administração pública em seus diversos níveis, o poder legislativo atento, representantes de órgãos estaduais cruciais como a ADAPAR, a gigante energética Itaipu Binacional, o dinamismo das empresas do setor e, fundamentalmente, os produtores que labutam na terra.
A solenidade de abertura, prestigiada pela liderança municipal o Prefeito John Nodari, a Vice-Prefeita Simoni Tornquist, o Presidente da Câmara Dante Mundt, e um secretariado engajado, já prenunciava a seriedade do debate que se seguiria. Vereadores e diretores municipais compunham a plateia atenta, cientes da relevância dos temas em pauta.
No centro das discussões, um incômodo persistente que ecoa pelas propriedades rurais e, cada vez mais, nos centros urbanos: a questão da mosca varejeira. Após uma contextualização visual impactante, o Médico Veterinário Loreno Egídio Taffel, da ADAPAR, compartilhou conhecimento vital sobre o controle de vetores, oferecendo um panorama das estratégias de prevenção e manejo indispensáveis à sanidade agropecuária.
A busca por soluções inovadoras ganhou corpo com a apresentação de Tatiane Knaul, da EMBIO, que iluminou o auditório com opções sustentáveis para o enfrentamento das larvas de moscas. O debate que se sucedeu, marcado pela participação engajada dos presentes, sublinhou a urgência e a complexidade do desafio, mas também a determinação em superá-lo.
A presença do Gestor da Itaipu Binacional, Edino Jonas S. Krug, elevou o nível da discussão, trazendo a visão estratégica de uma instituição fundamental para o desenvolvimento da região. O apoio declarado e a participação ativa de empresas de peso do agronegócio, C Vale, Frivati, Friela, Cooperativa Lar, Cooperativa C.Vale, BRF, BMG, Latco e Frimesa, escancararam a união de um setor que compreende a interdependência de seus elos.
As palavras do Presidente da Câmara, Dante Mundt, e do representante da Itaipu, Roberto Piana, ressoaram como um chamado à ação conjunta, enfatizando que o crescimento sustentável de Pato Bragado reside na sinergia entre os diversos atores da sociedade.
Assim, o 1º Encontro da Cadeia Agroindustrial do Suíno e Bovinocultura de Leite de Responsabilidades Compartilhadas fincou suas raízes como um terreno fértil para a troca de saberes, o confronto de ideias e, crucialmente, a arquitetura de soluções coletivas. O Portal Rondon, atento aos pulsos do desenvolvimento regional, seguirá de perto os desdobramentos desta iniciativa promissora.
A seguir, confira os principais destaques das entrevistas realizadas durante o evento:

Prefeito de Pato Bragado John Nodari
Portal Rondon: Prefeito John, gostaríamos que o senhor resumisse a importância deste evento hoje em Pato Bragado, que marca o início da discussão sobre o problema das moscas que afeta tanto nosso município quanto toda a região Oeste.
Prefeito John Nodari: Estamos muito felizes com este evento, planejado pela Secretaria da Agricultura em conjunto com a nossa administração. A presença de todas as cooperativas que atuam na nossa região Oeste, o Sindicato Rural, a ADAPAR com toda a sua estrutura, a Itaipu Binacional, municípios vizinhos, secretários e a população envolvida nos alegra muito. Buscamos a expertise necessária para encontrarmos caminhos para combater esse sério problema das moscas que atinge Pato Bragado e toda a região.
Já estamos satisfeitos, pois criamos uma comissão de trabalho e foram apresentadas algumas possíveis soluções. Essas soluções visam apoiar o nosso produtor rural. Somos uma região extremamente agrícola, Pato Bragado vive do agro, e temos o compromisso de apoiar e auxiliar nossos produtores. Que não reste dúvidas de que o produtor não é o culpado por essa situação, muito pelo contrário, é o resultado de uma região que produz muito alimento para o Brasil e para o mundo.
Agora, o que precisamos é utilizar os mecanismos que temos, a expertise da Itaipu Binacional, da ADAPAR, enfim, de todas as instituições, governo do estado e governo municipal, para buscarmos caminhos que possam conter esse problema que está ocasionando diversas situações, que é a mosca varejeira.
Com certeza, o poder público, em nome do prefeito e também do secretário de agricultura, hoje demonstra esse compromisso com os produtores de Pato Bragado e com a sua cadeia de produção, realizando este evento e iniciando esta discussão que se faz necessária pelos problemas que os agricultores enfrentam no dia a dia.
Com certeza, com o apoio de toda a cadeia produtiva, empresas, poder público e a Câmara de Vereadores aqui de Pato Bragado e prontamente os nove vereadores apoiam essa iniciativa, juntos vamos buscar uma solução. Obrigado.

Secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Geovane Luis Fincke
Portal Rondon: Secretário Geovane, gostaríamos que falasse da importância deste dia, com a reunião de tantas lideranças e entidades públicas para tratar do problema das moscas, que afeta Pato Bragado, a região e praticamente todo o Paraná, mas que aqui necessita de uma atenção especial e inovadora. Hoje se iniciou essa discussão em Pato Bragado. Poderia nos falar da importância deste evento e como foi a sua construção nos bastidores?
Secretário Geovane Luis Fincke: Bom dia, Pedralho. Com o desenvolvimento do nosso município e da região, que é benéfico para o crescimento da área agrícola, surgem também alguns problemas. Ouvimos muitos produtores, desde a gestão da antiga secretária, sobre o aumento da proliferação de moscas, que são vetores de doenças. Pensamos, então, em unir forças com o prefeito e demais secretários.
Sozinhos não conseguiríamos resolver. A ideia foi justamente juntar todas as cooperativas e integradoras da região oeste para, de fato, começarmos a solucionar o problema das moscas varejeiras. Hoje, percebemos que as cooperativas aderiram à ideia, tivemos a presença da ADAPAR e da Itaipu, e todos reconheceram que esse problema é uma consequência do progresso e da forte cadeia produtiva do agronegócio em Pato Bragado e região.
Acreditamos que, unindo forças, com pequenas medidas e soluções coordenadas, a longo prazo poderemos diminuir bastante esse problema que afeta os agricultores em suas propriedades, gerando um efeito colaborativo de grande sucesso a longo prazo.
O progresso traz problemas em todos os segmentos, e na suinocultura não é diferente. Unimos forças e tivemos um grande apoio da ADAPAR, que é um órgão fiscalizador. A Itaipu também abraçou a ideia desde o início, assim como todas as empresas com quem conversamos, que reconheceram a necessidade de resolver esse problema em conjunto com o produtor.
É um trabalho contínuo. Precisamos começar a resolver esse problema, sabendo que não será do dia para a noite e que talvez não eliminemos 100%. Mas, se a partir deste primeiro encontro, conseguirmos reduzir o problema das moscas varejeiras, já será um avanço gigantesco não só para Pato Bragado, mas para toda a região.

Chefe de Escritório Regional, Engenheiro Agrônomo Antônio Carlos Dezaneti (ADAPAR)
Portal Rondon: Desaneti, em poucas palavras, qual a importância deste encontro hoje em Pato Bragado?
Antônio Carlos Dezaneti: Bom dia. Este encontro é o início, um projeto piloto regional para abordar o sério problema das moscas, com alta incidência em toda a nossa região. Na região de Toledo, temos a maior concentração de suínos do Paraná, com 53% do plantel comercial, cerca de 3,5 milhões de cabeças. A grande quantidade de dejetos gera a proliferação de moscas, e este evento busca soluções para reduzir essa população a níveis aceitáveis, mitigando o desconforto tanto nas áreas rurais quanto urbanas. É um primeiro passo importantíssimo, realizado em conjunto pelo setor público e privado.
Além disso, temos a preocupação sanitária, pois a mosca é um vetor de doenças entre as granjas. Seu raio de voo pode ultrapassar os 500 metros, o que é relevante na nossa região com alta concentração de atividades. Participar deste evento foi muito interessante para a ADAPAR, pois lidamos com a sanidade animal e estamos constantemente nas propriedades, onde já orientamos e cobramos dos produtores o manejo e controle de moscas durante as fiscalizações. É fundamental acharmos uma solução para diminuir essa quantidade.

Presidente do Sindicato Rural, Edio Chapla
Portal Rondon: Qual a importância deste evento inicial sobre o problema das moscas, que afeta tanto produtores de suínos quanto vizinhos sem essa atividade?
Edio Chapla: É muito positivo este encontro que reúne empresas como Itaipu, Prefeitura, cooperativas e produtores. Precisamos envolver o produtor, mas esta iniciativa do prefeito é crucial para resolver esse problema existente. Não é um problema isolado do produtor; requer o esforço conjunto da Prefeitura, Itaipu, cooperativas e produtores rurais. Vejo com otimismo essa união de forças em Pato Bragado, pois o problema é de todos.
Portal Rondon: Essa união entre cooperativas, Itaipu, sindicato, Dapar e Prefeitura nos permite ter esperança a longo prazo?
Edio Chapla: Com certeza. As soluções foram apresentadas e precisamos do engajamento de todos. Há relatos de problemas tanto em propriedades rurais quanto na área urbana. O sindicato rural apoia totalmente esta iniciativa. Já conversamos com o prefeito sobre cursos para auxiliar na organização das propriedades, visando colher os resultados desse trabalho coletivo. Cada um tem um papel a desempenhar. Precisamos unir forças entre agricultores e entidades públicas e privadas para que as coisas aconteçam. O sindicato rural sempre apoiará o produtor, como fizemos na questão do Código Florestal, onde defendemos os pequenos produtores para evitar impactos financeiros significativos. Nosso papel é apoiar causas que resolvam problemas tanto no meio rural quanto urbano.









