Política
A fatura da arrogância política? Gestão Backes/Sauer colhe os frutos do desalinhamento após polêmica na Casa Lar
Entenda como a fiscalização de uma vereadora expôs a fragilidade política da gestão municipal
A mais recente faísca na já tensa relação entre o executivo e o legislativo de Marechal Cândido Rondon tem nome e endereço: Casa Lar. A tentativa de fiscalização da vereadora Tania Maion, ao optar por uma abordagem no mínimo questionável filmagens e ingresso sem aparente observância dos protocolos internos serviu de pretexto para o Prefeito Adriano Backes escancarar o abismo que separa sua gestão de parte da Câmara Municipal.
A alegação de “afronta ao decoro” soa, para alguns, como a cartada de um governo acuado, mais preocupado em conter questionamentos do que em promover a real transparência.
É inegável que o manto da fiscalização parlamentar é sagrado, mas sua aplicação, por vezes, carece de sutileza. A Casa Lar, abrigando crianças e adolescentes em vulnerabilidade, exige sensibilidade e respeito a normas que visam, em tese, protegê-los. A atitude da vereadora, por mais bem-intencionada que possa ter sido aos seus olhos, ignorou esses preceitos, gerando, no mínimo, desconforto e abrindo flanco para críticas.
Contudo, a reação inflamada do executivo não pode ser desvinculada do crescente isolamento político da gestão Backes e Sauer. A dificuldade em manter a própria base alinhada já era notória, e este episódio apenas joga luz sobre a fragilidade de um governo que parece preferir o confronto ao diálogo.
A alegação de desrespeito às normas da Casa Lar surge como um argumento conveniente para desviar a atenção da sua própria inabilidade em construir uma relação saudável com o legislativo.
O Conselho de Ética, agora convocado a arbitrar essa disputa, terá a espinhosa tarefa de julgar a conduta da vereadora. Mas, para além da legalidade da ação, paira a sombra de um governo que, ao invés de buscar o entendimento e a colaboração, prefere acirrar os ânimos.
A polarização em Marechal Cândido Rondon se intensifica, e o bem-estar da comunidade, que deveria ser o foco principal, corre o risco de se perder em meio a disputas de poder e demonstrações de força. Resta saber se a “arrogância política” apontada no título não será o principal legado desta gestão.




