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Plano Safra: Paraná comemora volume de recursos mas juros preocupam

Entidades ligadas ao agronegócio no estado receberam bem o novo programa de crédito, apesar de haver taxas de dois dígitos em algumas linhas de financiamento

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|Foto: Divulgação|
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O novo Plano Safra foi bem recebido por entidades ligadas à agropecuária no Paraná. No entanto, ressaltaram preocupação com a atual taxa Selic em 13,25% ao ano e com algumas linhas de financiamento com taxas de juros acima de dois dígitos.

O estado foi um dos que mais sofreram com a crise hídrica no ciclo 2021/22. A divulgação do novo plano agrícola e pecuário era muito aguardada por produtores e entidades para dar celeridade ao planejamento da próxima safra. Diante dos números apresentados pelo governo na última quarta-feira (29), a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) avaliou positivamente o volume de recursos disponibilizados para este ano-safra. Porém, destacou preocupação com as taxas que podem ser aplicadas sobre recursos contratados a juros livres.

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“A gente tem a Selic a 13,25% ao ano, uma taxa de juros bastante alta. Quando o produtor rural for procurar recurso no banco, recurso livre, logicamente vai ser um percentual maior que esse. Fica uma safra bastante cara, vai ser uma safra bastante desafiadora para o produtor rural paranaense, principalmente”, acredita o técnico do departamento econômico do Sistema Faep Luiz Eliezer Ferreira.

Juros controlados

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja do Paraná (Aprosoja-PR) classifica como preocupante o ajuste do Plano Safra 2022/23 sobre os juros controlados, que acabou colocando o produtor na operacionalização de crédito do mercado livre.

”Eu esperava que esse percentual de juro controlado aumentasse. O agro fica muito volátil nessa questão do mercado. Muitos dos agricultores vão acabar não tendo acesso a esse recurso controlado, vão para o mercado livre e ser explorados. Eu, por exemplo, tenho operações a 18% ao ano”, conta o vice-presidente da entidade, João Batista Cunha Júnior.

A elevação dos juros sobre o crédito rural era esperada pelo setor, diante do atual cenário econômico do país. Em financiamento para custeio e comercialização, as taxas variam de 5% a 12% ao ano. Em investimento, de 7% a 12,5% ao ano.

“A gente esperava um aumento da taxa de juros, mas não que ultrapassasse os dois dígitos. Moderagro, Inovagro, Moderfrota, todas acima de 10% ao ano. Isso nos surpreendeu”, afirma Ferreira.

Produtores do Paraná

Na safra 2021/22, o Paraná liderou as contratações de crédito rural, atingindo R$ 36 bilhões. O volume de quase R$ 341 bilhões disponibilizado agora é superior ao montante solicitado ao governo federal pelo estado, de R$ 333 bilhões. O novo plano agrícola, que começa a valer a partir de sexta (1°) foi considerado bom – dentro do possível -, pelo Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral).

“A expectativa do setor, de uma forma geral, é boa. Os juros controlados, é claro, são uma parte muito importante principalmente para o Paraná, que conta aí com a maioria dos produtores sendo médios e pequenos”, afirma o chefe do Deral, Marcelo Garrido.

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