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Pesquisadora da UNILA analisa cenário atual da Venezuela e as eleições regionais marcadas para domingo (21)

A oposição, que tem em Juan Guaidó sua principal figura, até hoje não conseguiu obter o apoio popular necessário para se impor sobre o Chavismo, atualmente liderado por Maduro.

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|FOTOS: Brasil Escola / UOL|
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A Venezuela vive um de seus momentos mais importantes com as eleições regionais que serão realizadas, neste domingo (21), em meio a uma crise econômica, política, social e humanitária. Essa será a primeira dos últimos anos com a participação dos partidos de oposição. O cenário atual da Venezuela é o tema de entrevista com a cientista política e docente do curso de Relações Internacionais e Integração Renata Peixoto, que pode ser assistida na íntegra no canal da UNILA no YouTube.  

“Essas eleições regionais são, de fato, muito importantes. O que mais chama a atenção, para além da configuração de forças políticas que vão se delinear a partir de novembro, é o fato de que essas eleições serão as primeiras em que a oposição decidiu se unificar e concorrer”, diz a docente

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A oposição, que tem em Juan Guaidó sua principal figura, até hoje não conseguiu obter o apoio popular necessário para se impor sobre o Chavismo, atualmente liderado por Maduro. Isso, explica a pesquisadora, está ligado à “memória” dos venezuelanos em relação aos períodos de avanços econômicos e sociais produzidos sob a liderança de Hugo Chávez. “As pessoas se lembram disso, comparam o avanço do Chavismo, no auge do Chavismo, e temem um possível retrocesso se algum líder da oposição, como Guaidó, chegar ao poder”, avalia.

A pesquisadora lembra que a democracia da Venezuela, principalmente na década de 1970, “era muito festejada, com muita credibilidade no ambiente internacional”. A Venezuela era um dos poucos países da América Latina a viver numa democracia, enquanto os demais estavam sob o domínio de governos ditatoriais. Esse período, no entanto, tem um aspecto particular, ressalva Renata Peixoto, porque a democracia foi organizada em torno do Pacto de Punto Fijo, que afastou os movimentos mais extremos, tanto à direita, quanto à esquerda, do governo do país.

“A partir do momento que temos a derrocada daquela democracia pactuada, de fachada, temos a ascensão de novos atores políticos. Chávez emerge como um ator político em potencial, no rastro da crise da democracia, da crise política e econômica. E, apesar de toda a inquietação em torno de sua figura, quando Chávez chega ao poder, a Venezuela muda drasticamente. O período Chávez foi marcado por um avanço muito significativo em termos sociais”, comenta a docente, lembrando que, mesmo nos períodos de “democracia pactuada”, quando o petróleo garantia o crescimento econômico, as diferenças sociais eram significativas. “As pessoas também se lembram que na época da bonança a desigualdade social imperava”.

Renata observa ainda que existe um “sentimento de desconfiança do povo venezuelano em relação à oposição”, porque há uma identificação dessa oposição à “ideia de uma vocação golpista”, uma vez que o próprio Chávez passou por golpes e tentativas de instabilidade política no país, que se repetiram mais recentemente. “As pessoas têm desconfiança se esta oposição significaria uma mudança de rumos que fosse benéfica para a qualidade de vida dos cidadãos.”

Para a docente, as comparações feitas entre Brasil e Venezuela são uma “cortina de fumaça” para esconder a crise política, econômica e social brasileira. “Não negando os problemas da Venezuela, eles estão lá, mas a gente deixa de olhar para os nossos problemas”, diz. “O Brasil virou o pior retrato de si mesmo, uma caricatura muito triste. E, desde o último período eleitoral, o Brasil vem passando pelo pior momento de sua história”, comenta, pontuando questões como o desmatamento, o desemprego, a pobreza crescente a partir da pandemia, a postura de submissão internacional e o autoritarismo. “O Brasil está num momento terrível. O Brasil não poderia virar uma Venezuela, o Brasil virou o Brasil.”

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