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Chanceler brasileiro diz que UE usa ‘meio ambiente como protecionismo’

Em entrevista ao Financial Times, Carlos França disse que desmatamento ilegal no Brasil é tratado como ‘assunto de polícia’

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Foto: Vlamir Brandalizze/ Arquivo pessoal
Posto Tonin – Shell Box

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, criticou, neste domingo (28), em uma matéria publicada pelo Financial Times, a proposta da União Europeia (UE) de banir a entrada de produtos agrícolas no bloco vindos de áreas de desmatamento.

O chanceler brasileiro classificou a proposta de obrigar empresas que vendem produtos agropecuários a comprovarem que a produção não foi feita em terra degradada ou desmatada depois de 2020 de “protecionismo comercial” e “miopia”.

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“O que eu não posso aceitar é usar o meio ambiente como uma forma de protecionismo comercial. É ruim para os consumidores, para os fluxos comerciais “, disse França. “Acho que há uma certa miopia da União Europeia”, completou.

O Brasil é um dos maiores exportadores de produtos que seriam barrados: carne, soja, óleo de palma, café, cacau e madeira. Medida incomodou o governo brasileiro, que acusou o bloco europeu de “protecionismo” e “miopia”.

No início do mês, durante a Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima (COP26), realizada em Glasgow, na Escócia, líderes de mais de 100 países, incluindo o Brasil, se comprometeram a interromper e reverter o desmatamento até 2030.

O ministro afirmou que o desmatamento ilegal é tratado como assunto de polícia porque está conectado com outros crimes. Segundo ele, não há no país o desejo de esconder o problema.

“Não existe desejo do Brasil de esconder o problema. Quando existe desmatamento ilegal, ele está conectado geralmente a outros crimes, como infrações trabalhistas, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Nós estamos tratando isso como assunto de polícia e estamos tendo resultados” , afirmou.

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