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Alienígenas em Nova Santa Rosa? Agora, sim, o mistério do Ovni de Alto Santa Fé está solucionado [vídeo]

O aparelho causou curiosidade naquela época e agora, 34 anos depois

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FOTO: Arquivo pessoal/ Severino Philippsen
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“Um homem pulou de paraquedas ali”, um vizinho veio correndo e disse. “Eu vi só a pontinha do paraquedas e falei ‘Isso caiu lá na nossa roça’ e saí correndo também”.

O caso do Ovni que caiu no distrito de Alto Santa Fé, em Nova Santa Rosa, em 1987, contado pela reportagem do Portal Rondon, em setembro, repercutiu pelas redes sociais… E nós fomos instigados a continuar a investigação para descobrir mais detalhes… Nessa busca, chegamos na casa do filho do Sr. Romaldo Liesenfeld, que era o dono da terra na época em que o objeto caiu.

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Sr. Romaldo Liesenfeld, que era o dono da terra na época em que o objeto caiu | Arquivo Pessoal

Paulo Liesenfeld já tinha 17 anos quando todo mundo pensou que os alienígenas estavam aterrissando em terras nova-santa-rosenses e tem a memória nítida sobre os acontecimentos.

Paulo Liesenfeld, com o pedaço de fita que guarda do balão até hoje | FOTO: Fernando Nègre

Como o Severino, a Geni, a Flanir, o Ademir, a Carla e todos os outros jovens e crianças da época, ele lembra como era o objeto.

“Aparentemente a caixa não era muito pesada. Ela era toda de isopor e as outras partes provavelmente eram de alumínio, não de ferro […] E tinha um paraquedas, até por isso que várias pessoas achavam que era alguém aterrissando”…

Depois de ler a primeira reportagem do Portal Rondon, Paulo entrou em contato com a redação e disse: “não foi nesse dia que isso aconteceu, e eu posso provar”. Movidos a apurar os fatos, ouvir outros lados da história e produzir um jornalismo de qualidade, fomos em busca de novos depoimentos… A única dúvida do Paulo era se o objeto tinha caído no sábado dia 14 de fevereiro ou no final de semana seguinte, dia 21.

Paulo conversou com a sua mãe e lembraram que haviam recebido um documento da Base Meteorológica de São José dos Campos, onde constava que Romaldo Liesenfeld e a família foram indenizados pela queda do objeto em suas terras. Na época, eles receberam o valor equivalente a 150 sacas de milho. Paulo procurou pelo documento para confirmar a data, mas não o encontrou. Por isso, foi em busca de alguns contatos que poderiam ajudar a descobrir a data exata.

“Minha mãe e eu tínhamos certeza de que era no mês de fevereiro, aí pegamos as fotos para confirmar… Liguei para o meu irmão para ver o que ele lembrava e ele disse que começou a trabalhar na Coopervale, em Santa Fé, em 1987, por isso, tinha certeza que foi nesse ano. A minha mãe lembrava que todo mês de fevereiro tinha uma amiga que fazia uma festa de aniversário e naquele dia estavam na casa dela jogando baralho, e aí ficamos em dúvida entre o dia 14 e o dia 21. Então, liguei para um amigo que lembra que foi testemunha de um casamento no dia 21 de fevereiro, em Nova Santa Rosa, bem quando isso aconteceu”.

E o objeto nem caiu em Alto Santa Fé no mesmo ano da noite dos Ovnis, que os registros apontam para 1986. Mas, confirmando as pistas que já tínhamos, era mesmo um aparelho monitorado pela Nasa, e provavelmente era usado para testes de previsão do tempo ou afins e não destruiria residências.

“Explicaram para nós que ele foi conduzido devido ao repelente de energia elétrica. De acordo com os técnicos, o objeto não cairia em cima de uma via ou de alguma residência onde tinha energia elétrica ativa”, Paulo conta.

Veja o desenho que Paulo fez para explicar o local onde o aparelho caiu, em Alto Santa Fé.

Desenho feito pelo Paulo Liesenfeld para explicar onde o “ovni” caiu

Depois de passarem horas acompanhando aquele objeto descer, muita gente quis tirar um pedacinho do Ovni e guardar de recordação sobre aquele dia memorável.

Na conversa com Severino, ele disse que até um tempo atrás tinha um pedaço de isopor guardado. E o Paulo ainda tem uma parte concreta daquela memória. É uma espécie de fita, que mesmo depois de 34 anos permanece com seu material bem conservado.

Pedaço do “ovni” que o Paulo Liesenfeld guarda até hoje | FOTO: Mariana Helfenstein Rosa

Para descobrir mais sobre o aparelho, a equipe de redação do Portal Rondon entrou em contato com o INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais) mas, devido à pandemia, a equipe está trabalhando de modo remoto e não conseguiu nos auxiliar na busca pelos antigos dados.

Naquela época, Alto Santa Fé virou notícia na mídia local e nacional. E não era para menos. Como na primeira reportagem a data dos fatos e, inclusive, o ano, eram apenas hipóteses, procuramos informações em todos os cantos e não encontramos os registros que confirmassem qualquer informação. Desta vez, com informações mais próximas da realidade, conversamos novamente com o pesquisador rondonense, Harto Viteck, que é apaixonado por história, e ele conseguiu encontrar uma nota publicada no site Memória Rondonense, que foi extraída das pesquisas feitas a partir dos cadernos de notícias da Radio Difusora do Paraná naquele dia.

O registro foi feito pela Rádio Difusora no dia 14 de fevereiro, uma das datas em que Paulo estava em dúvida. Veja o grifo do Memória Rondonense:

Equipamento da Nasa, destinado para análise de explosões solares, cai em Alto Santa Fé, município de Nova Santa Rosa. Por perda de altura, a queda do balão com a aparelhagem foi provocada, por controle remoto, pelos técnicos responsáveis pelo monitoramento do equipamento tecnológico.

Sobre a queda do balão, a Rádio Difusora do Paraná, de Marechal Cândido Rondon (PR), produziu a seguinte informação noticiosa: 

Equipamento que caiu em Alto Santa Fé é da Nasa

No dia de hoje estará sendo transportado para São José dos Campos e de lá encaminhado para Texas nos Estados Unidos, o equipamento altamente sofisticado que caiu sábado à tarde (14.02, grifo nosso) em Alto Santa Fé.

Conforme o engenheiro Ricardo Varela Correa, do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), o equipamento é pertencente à Nasa.

Todo o material faz parte de uma experiência para analisar explosões solares e teve início na Austrália quando o balão foi lançado dia 10. O material eletrônico existente na caixa com dois metros de base por 4m de altura, era protegido por paredes de isopor especial, revestido por uma folha de alumínio, para resistir temperaturas de até 80 graus negativos na parte externa e conservar temperatura de até 30 graus postivos na parte interna.

Todo o equipamento pesava 600  quilos e era suspenso por uma balão de plástico pesando aproximadamente mil e 330 quilos.

O balão era construído de plástico de grossura menor que uma folha de papel, com 200 metros de diâmetro.

Ainda segundo engenheiro brasileiro, especialista em lançamento de balões desse tipo, estava programado para sua queda ser nesta região. Normalmente, disse ele, o balão deveria ficar a uma altitude de 40 quilômetros, mas dado a problemas, ele baixou para 25 quilômetros.

Assim, ele já estava se aproximando da altitude que seria acionado automaticamente  para queda e solto o balão do equipamento.

Considerando que isso acontecesse ele poderia cair em território paraguaio, os técnicos, ele do Instituto Brasileiro e mais dois da Nasa acionaram o dispositivo para que houvesse nessa região a sua queda.

Por outro lado, ele adiantou que a explosão que se fez ouvir na sexta-feira, por volta do meio-dia, nada tem a ver com o caso, mesmo porque a separação foi acionada às 16 horas e o barulho da explosão não é superior a um tiro de revólver, garantiu (sic) (LEDUC, Lincoln. Panorama. Marechal Cândido Rondon: Rádio Difusora do Paraná AM, vol. 08, cad. janeiro e fevereiro 1987, fls.  204). 

Ademir Orlandin já havia comentado que recordava a presença de canais de televisão no distrito. Paulo também disse que foram feitas reportagens televisionadas, inclusive em mídia nacional, sobre aquele dia inesquecível para os moradores de Alto Santa Fé.

“A TV Tarobá de Cascavel fez uma reportagem sobre o acontecimento. E, no domingo de manhã, a TV Cultura de Maringá, afiliada da rede Globo, também esteve em Alto Santa Fé para registrar os fatos. A repórter era Maria Valente, nunca mais esqueci o nome. Até saiu reportagem no Fantástico”, Paulo comenta.

No entardecer, o aparelho, que já havia sido identificado e acabara de perder o título de Ovni, foi carregado no carretão do Baumgartner, na época morador de Alto Santa Fé, e levado até o posto policial de Palotina, onde ficou por aproximadamente uma semana. Lá, ainda muita gente foi vê-lo.

Em busca de mais detalhes, fomos atrás das redes de televisão citadas pelos entrevistados… O Portal Rondon ligou para a afiliada da Rede Globo citada por Paulo para descobrir se ainda existiam as gravações daquela data. Foi solicitado que enviássemos um e-mail para receber o material, porém, até o término desta reportagem, não obtivemos retorno.

Agora, sim, o mistério está solucionado. E nem haviam alienígenas na caixa. Aliás, os moradores lembram que dias depois da queda, ainda tinha pedaços do alumínio do aparelho caindo do céu. Inesquecível. E até hoje, mais nada parecido aconteceu nas redondezas.

Veja alguns trechos da conversa com Paulo Liesenfeld:

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