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Lancet publica estudo brasileiro que descarta eficácia da hidroxicloroquina

Pesquisa foi utilizada pelo senador Alessandro Vieira em depoimentos da CPI da Pandemia a respeito do embasamento científico para a defesa do uso da hidroxicloroquina

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|Foto: George Frey/Reuters|
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A revista médica The Lancet publicou um estudo de revisão sistemática e meta-análise conduzido por pesquisadores brasileiros que descarta benefícios clínicos do uso de hidroxicloroquina para tratamento ou prevenção de Covid-19. O trabalho é assinado por uma equipe de cinco autores, sob coordenação do professor doutor Paulo Ricardo Martins Filho, da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

A pesquisa foi utilizada pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) em depoimentos da CPI da Pandemia como o da secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro e o da médica Nise Yamaguchi, a respeito do embasamento científico para a defesa do uso da hidroxicloroquina contra o coronavírus e a adoção de medidas como o aplicativo TrateCov, utilizado pelo governo federal no enfrentamento do colapso em Manaus (AM), no início do ano.

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De acordo com o artigo, publicado nesse fim de semana pela edição regional da Lancet nas Américas, foram localizados 2.871 estudos relacionados ao uso de hidroxicloroquina, publicados entre janeiro de 2020 e maio de 2021.

Passaram pelo processo de meta-análise – um método estatístico que combina os resultados de vários estudos para produção de uma síntese com maior robustez – 14 ensaios clínicos randomizados, cegos e controlados por placebo.

“Nossa meta-análise sintetiza a melhor evidência disponível sobre a eficácia e segurança da hidroxicloroquina na prevenção e tratamento de pacientes com Covid-19″, explica Martins. O pesquisador salienta que os 14 ensaios incluíram tanto aqueles que adotaram hidroxicloroquina como tratamento profiláxico quanto os que utilizaram a medicação contra a malária no atendimento a pacientes hospitalizados ou não-hospitalizados.

“Os resultados desse estudo mostram que a hidroxicloroquina não é eficaz como profilaxia pré-exposição ou pós-exposição ao SARS-CoV-2, assim como não é eficaz no tratamento de indivíduos com Covid-19, seja entre aqueles com as formas mais leves da doença, seja entre aqueles hospitalizados com as formas mais severas da infecção”, salienta o pesquisador brasileiro. Martins afirma ainda que, de acordo com o estudo, houve aumento do risco de eventos adversos, como problemas gastrointestinais.

Além de Paulo Martins, assinam o artigo Lis Campos Ferreira, Luana Heimfarth, Adriano Antunes de Souza Araújo e Lucindo José Quintans-Júnior.

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