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Declaração de amor escrita nos anos 1980 em parede de escola de São Paulo é descoberta; autora mora, atualmente, na Suécia

A parede da escola passará por uma nova pintura, mas a declaração ficará em destaque

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Declaração escrita nos anos 80 foi descoberta durante obras em parede de escola — Foto: Arquivo Pessoal
Martin Luther – Enem

Uma mensagem romântica escrita há 40 anos foi descoberta em uma parede durante obras em uma escola particular em São Vicente, no litoral paulista. De acordo com Marcelo Omena, de 57 anos, que encontrou a declaração enquanto descascava camadas antigas de tinta, a frase foi escrita em 1981, e será preservada. Após achá-la, ele decidiu fazer uma publicação nas redes sociais para contar o fato curioso, e o episódio repercutiu na internet.

A declaração escrita na década de 80 foi dedicada a uma pessoa chamada de ‘Ki-Suco’, e é assinada pela ‘Ruiva’. Mesmo coberta com três camadas de tinta, a mensagem permaneceu intacta:

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“Se a chuva representasse o amor, só mesmo um maremoto diria o que sinto por você”, diz a inscrição.

Omena relata que, quando encontrou a declaração, comparou com o que é escrito pela juventude atual. “É algo que os adolescentes praticavam mais. Hoje, as coisas são muito virtuais. Hoje em dia, ao invés de escreverem um texto de amor por própria inspiração, as pessoas pesquisam no Google”, destaca.

Foto antiga da Ruiva e a mensagem que ela escreveu na parede de uma escola em São Vicente, na década de 1980, para o Ki-Suco — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

O administrador diz que decidiu publicar uma foto da frase nas redes sociais para levar uma mensagem de amor às pessoas. “A gente tem visto tantas coisas ruins na internet, nos meios de comunicação, então, acho que algo de amor ajuda um pouco. É só muita tristeza, também temos que ver o lado bom das coisas nas redes sociais. Temos que valorizar isso, também tem que trazer o lado do amor, do esporte, da família”.

De acordo com Omena, a parede da escola passará por uma nova pintura, mas a declaração ficará em destaque. “A gente tem que valorizar um pouco mais o amor. Esse último ano tem sido muito ruim, por causa da pandemia. Vou fazer um recorte e deixar a mensagem em destaque na parede, e talvez dar um retoque no que está escrito”, finaliza.

A mensagem despertou a curiosidade e imaginação dos internautas, que queriam saber quem eram Ki-Suco, alvo do recado, e a Ruiva, que assinou a mensagem.

Primeiro, o G1 localizou o administrador de empresas Fabio Blume, de 52 anos, que conquistou o apelido ao estrelar uma propaganda para a TV na época e se mostrou surpreso com o achado. E, nesta quinta-feira (1º), foi encontrada a autora das palavras apaixonadas – a artista plástica Adriana Mayr, de 49 anos, que ficou emocionada com a descoberta (“sou bem coração mole com essas coisas”).

“Uma amiga, que era da época da escola também e estudava junto comigo, me mandou o link da matéria e falou: ‘Adriana, eu reconheci a tua letra. Essa letra é tua’. Quando vi a matéria, era a letra que eu usava, e a assinatura. Eu me lembro de ter escrito”, relata Adriana, que hoje mora na Suécia.

Adriana e Fabio estudavam no mesmo colégio, e ela até chegou a deixar um recado lá também – mas este não sobreviveu ao tempo. Restou apenas aquele escrito onde Ruiva cursava inglês (e que dificilmente seria lido por Ki-Suco, já que ele não era aluno do local).

Ela revelou ao G1 o que falaria hoje a Fabio, após a repercussão da história:

“Eu diria que foi muito divertido. O Fabio era muito engraçado, eu morria de rir com ele. É muito bom saber que ele constituiu uma família feliz. Fico muito feliz com isso. E que ele também se comoveu com a história. Demonstra que ele também tem o romantismo dentro do coração”.

Ruiva diz que pintava o cabelo

Adriana Mayr, de 49 anos, a Ruiva, atualmente mora na Suécia — Foto: Arquivo Pessoal

Adriana explica que o apelido Ruiva foi adotado por ela mesma, por conta do cabelo tingido de vermelho:

“Eu nunca fui ruiva, era pintado. Na época, eu mesma me intitulava, ninguém me deu esse apelido, principalmente quando escrevia coisas de forma incógnita, eu colocava o pseudônimo. Naquela época, tinha muito essa brincadeira de escrever nas carteiras, paredes, e eu usava esse nome, era divertido”.

A artista plástica conta que escreveu a mensagem por ser tímida, e por não ter coragem de fazer a declaração de forma direta ao Ki-Suco. O objetivo era que alguém comentasse com ele.

“Eu acho que ele sabia, mas não aconteceu nada. Na cara dele, nunca falei, eu era mais tímida. Nunca assumi para ele que eu era a Ruiva. E, se ele sabia, nunca me falou. Essa história ficou um mistério que durou todos esses anos, e essa é a parte divertida”, conta Adriana.

Ela ainda lembra: “Naquela época, a gente não tinha a liberdade que se tem hoje, de chegar em um rapaz, era diferente. Ele tinha um fã-clube, era um cara muito extrovertido, fazia piada com tudo, todos riam com ele, era o carinha popular da escola”.

Mas não foi a popularidade do jovem que a atraiu: “Quando cheguei à escola, não sabia que ele era garoto propaganda da Ki-Suco. Achava que era só apelido. Depois que fui saber que era, por colegas. Nunca fui dessas coisas, de olhar para o cara porque é famoso, olhei para ele porque achei ele bonitinho”.

Veja, abaixo, imagens de Ki-Suco na época e hoje em dia:

Fabio (esq.) fazia propagandas e era conhecido na cidade de São Vicente como Ki-Suco — Foto: Arquivo Pessoal
Fabio (esq.) fazia propagandas e era conhecido na cidade de São Vicente como Ki-Suco — Foto: Arquivo Pessoal
Fabio Ki-Suco ao lado da esposa, que o incentivou a falar sobre o caso — Foto: Arquivo Pessoal
Fabio Ki-Suco ao lado da esposa, que o incentivou a falar sobre o caso — Foto: Arquivo Pessoal

Ruiva emocionada

Adriana relata que ficou emocionada ao ver a mensagem que escreveu há décadas, e feliz por ver a repercussão positiva.

“Eu achei o maior barato, fiquei bem emocionada de ver que uma pessoa encontra uma coisa dessas na parede e também se comove, de ver uma coisa antiga. Eu sou bem coração mole com essas coisas. Mexeu, não por nenhum sentimento pelo Fabio, porque realmente foi uma coisa muito de adolescente, daquelas nossas paixonites, mas por tudo que eu vi nos comentários das pessoas. As pessoas se comoveram com o romantismo, com o amor. Passei meu dia vendo, foi uma surpresa bem bacana”.

A artista plástica mora há sete anos na Suécia com dois filhos: um de 5 anos, que nasceu lá, e outro de 21, que é brasileiro. Ela diz que a vida no país europeu é “solitária”, e que a descoberta da mensagem foi um alento.

“A gente é muito solitária aqui na Suécia. É muito frio, apesar de estarmos no verão agora. Mas é uma vida muito solitária. Então, quando a gente sente esse calor humano das pessoas, o interesse por uma história que não é dessas pessoas, que é de desconhecidos, a gente fica acreditando que ainda tem jeito, que as pessoas ainda têm coração”.



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