Política
Aziz adia para esta 4ª depoimento de diretora da Precisa cobrando que ela responda a perguntas
Sessão começou de manhã e foi suspensa após Emanuela Medrades ter dito que ficaria calada. Na retomada, à noite, diretora se disse ‘exausta’ e afirmou querer ‘colaborar’. Aziz, então, adiou.
O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), adiou para esta quarta-feira (14) o depoimento de Emanuela Medrades, diretora da Precisa Medicamentos.
A decisão foi tomada pouco depois das 20h desta terça (13), diante das reiteradas vezes em que Emanuela disse estar “exausta”, pedindo o adiamento do depoimento.
A Precisa entrou na mira da CPI da Covid por ter intermediado as negociações com o Ministério da Saúde para aquisição da Covaxin, vacina desenvolvida por um laboratório na Índia. O imunizante é o mais caro negociado pelo governo até agora, e a Precisa não tem relação com a indústria de vacinas.
A sessão para ouvir a diretora da empresa começou de manhã, mas Emanuela se negou a responder a perguntas. Ela obteve no Supremo Tribunal Federal o direito de não produzir prova contra si.
A CPI recorreu ao STF, e o ministro Luiz Fux estabeleceu que cabe à CPI decidir sobre medidas contra depoente que abusa do direito ao
Diretora disse estar ‘exausta’
Na retomada da sessão, durante a noite desta terça, Emanuela disse estar exausta e pediu o adiamento do depoimento. Ela afirmou querer “colaborar” com a CPI.
Em breve fala, na qual explicou ser diretora-executiva e farmacêutica técnica da Precisa, Emanuela Medrades disse ser preciso esclarecer que “não existiu irregularidade”.
“Todas as tratativas que a Precisa atuou no enfrentamento da pandemia, eu fui envolvida, ok? Devido a isso, e também à negativa do meu pedido de adiamento de 12 horas — porque temos que esclarecer, sim, não existiu irregularidade — eu estou exausta. Estou psicologicamente e fisicamente exausta e eu estou querendo colaborar. A única coisa que pedi foi o adiamento”, disse.
A decisão de Aziz
Diante da argumentação de Emanuela, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) perguntou à diretora da Precisa se ela estava mesmo “exausta” e se “falaria tudo” se o depoimento fosse adiado para quarta-feira.
“Sim, eu estou. A minha intenção é colaborativa”, respondeu Emanuela.
Omar Aziz, então, informou a decisão: “A senhora está convocada amanhã, às 9h.”
Emanuela Medrades agradeceu a Aziz, e o presidente da CPI disse esperar que a diretora da Precisa esteja nesta quarta às 9h na CPI “para responder a todas as perguntas”.
“Veja bem, a senhora está se comprometendo aqui. A senhora disse: ‘Eu vou responder, sim senhora’. Eu vou encerrar a sessão, amanhã às 9h a senhora está convocada para estar aqui, para a gente ouvir o seu depoimento. Nós vamos ouvir dois depoimentos amanhã. O da senhora e o do senhor Maximiano, após terminar a sessão. Está encerrada a sessão”, completou Aziz.
Investigações
As negociações para aquisição da Covaxin são investigadas pela CPI da Covid, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União.
Em depoimento à CPI da Covid, em junho, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, disseram ter informado ao presidente Jair Bolsonaro as suspeitas envolvendo as negociações da Covaxin.
Diante disso, o STF atendeu a um pedido da Procuradoria Geral da República e autorizou a abertura de um inquérito para investigar se Bolsonaro cometeu o crime de prevaricação. O presidente, por sua vez, diz entender que o crime se aplica a servidor público, não a ele.
Em 29 de junho, o governo anunciou a suspensão do contrato de aquisição da Covaxin.
Análise
Ouça o episódio do podcast O Assunto sobre “Covaxin, CPI da Covid e os irmãos Miranda”:




