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Grapa almeja terreno da prefeitura para colocar em prática um projeto ambicioso

Domingo, dia 14, comemoramos a data que lembra que maltratar os animais é crime

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Ontem, 14 de março, comemoramos o Dia Nacional dos Animais. A data serve para conscientizar as pessoas que maltratar animais no Brasil é crime, sejam eles domésticos ou selvagens.

A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605, de 12.02.1998 (Lei de Crimes Ambientais) e pela Constituição Federal Brasileira, de 05 de outubro de 1988. A lei determina que é crime praticar ato de abuso, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A pena é de detenção, de três meses a um ano, e multa.

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Para ajudar na conscientização, a redação do Portal Rondon conversou com o presidente do Grapa de Marechal Cândido Rondon, Denilson dos Santos, que contou a história do Grupo, os sonhos e como o amor pelos animais influenciou na criação do projeto.

Os trabalhos do Grapa (Grupo Regional de Amigos e Protetores dos Animais) iniciaram em 2014, quando Denilson, mais conhecido como Deni, começou a ajudar no abrigo de animais que eram levados à Ong Arca de Noé.

“Logo, vi que o espaço era pequeno, e haviam mais animais para serem atendidos. Nem todos teriam espaço na Ong. Então, com a ajuda de alguns amigos, montei o Grapa. Fomos buscando doações e formamos uma diretoria”, conta.

Deni foi eleito presidente, e segue frente às atividades até hoje.

Em 2019, o grupo conseguiu registrar seu CNPJ. Eles cuidam de mais de 100 animais, entre cães, gatos, patos, vacas, gansos, cavalos e éguas e até animais silvestres como marrecos e pavões. Todos estão distribuídos em oito lares voluntários, alguns em um sítio no distrito de Iguiporã, uns num lar temporário em Novo Três Passos e os outros na cidade de Marechal Cândido Rondon, inclusive na casa do Deni.

FOTO: Divulgação
FOTO: Divulgação

Na sessão ordinária desta segunda-feira (15), os vereadores rondonenses apreciarão uma matéria referente ao Projeto de Lei 07/2021 do Executivo Municipal, que visa contemplar o Grapa com uma nova área, onde será construída sua sede, onde vários trabalhos devem ser desenvolvidos.

O objetivo do Grapa é orientar as pessoas quanto aos cuidados com os animais, lembrando que maltratar um animal não é apenas bater ou submetê-lo a trabalhos pesados, é também deixá-lo preso o dia inteiro, ou sem abrigo diante das diversas condições climáticas, como sol e chuva. E, inclusive, deixar o animal sem água e comida ou ser relapso à doenças e feridas.

“Queremos conscientizar as pessoas de que o animais não são mais aqueles que devem ficar amarrados lá no pátio, sem fazer nada, fadados a latir quando têm fome, chorar quando sentem dor ou avançar nas pessoas que se aproximam da residência. Eles têm um papel importante nas nossas vidas”.

O Grapa busca ajudar a comunidade sem deixar de olhar os cuidados aos animais, e evitando ser radical a ponto de prejudicar as pessoas.

O maior problema de crime contra animais enfrentado hoje no Brasil, ainda é o abandono. “Os casos de maus tratos não são denunciados com frequência. Às vezes, andando pela cidade, vemos algum animal amarrado ou sem água e muito magro, então vamos na casa e orientamos as pessoas”, Deni declara.

Como surgiu a ideia

Denilson, que já sofreu de depressão, sabe muito bem o quanto os animais podem ajudar as pessoas a se recuperarem de momentos ruins. Durante a entrevista, alguns dos cães e um filhote de gato que ele abriga permaneciam ao lado dele oferecendo carinho e pedindo atenção. Deni lembra o quanto foi fundamental ter a presença do Thor, um boxer de 11 anos, quando passou pela doença.

“Eles não nos deixam sós nunca. Estão sempre ali prontos para nos acolher e nos ouvir. Temos que educar o ser humano. Para que aceite o animal e entenda tudo o que ele faz por nós”.

Inclusive, ele tem um vídeo que retrata o quanto o cachorro se esforçava para animá-lo nos dias de crise.

Foi exatamente naquela época que ele pensou no projeto.

A nova sede

O projeto dos colaboradores do Grapa para a nova sede é ambicioso. Em dois anos o grupo quer estar com a construção pronta.

“Nossa intenção é ter uma clínica estruturada no Grapa, através da qual poderemos castrar os animais, cujos donos não têm condições, evitando a procriação desnecessária”.

Para isso, o grupo deverá contar com o apoio do poder público, cadastrando pessoas de baixa renda, já inscritas em programas do governo municipal e federal.

“Desta forma também conseguiremos prestar auxílio às pessoas que não sabem como cuidar dos animais corretamente: dar banho e tratar doenças”.

INTERAÇÃO DO PÚBLICO E CINOTERAPIA

Na nova sede, a intenção é que as pessoas possam visitar os animais abrigados pelo Grapa. O espaço terá acessibilidade para deficientes. Crianças com deficiências físicas ou intelectuais terão animais específicos para interagir, todos adestrados.

“Abriremos o espaço para visitação pública, pois, assim acreditamos que teremos um apoio maior da comunidade”.

Um dos trabalhos que será desenvolvido na nova sede é a Cinoterapia (Terapia Facilitada por Cães – TFC), um processo terapêutico que, como o próprio nome já diz, tem o auxílio de cães. A Athena, uma pastora alemã, já está sendo treinada para trabalhar com crianças disléxicas.

“Temos 24 crianças com dislexia em Marechal Cândido Rondon, e através da Cinoterapia, a Athena pode ajudá-las”.

A terapia com cães é uma prática muito antiga, inclusive utilizada pelos gregos na Grécia Antiga, porque eles já acreditavam que os animais têm poder de curar as doenças. E isso é comprovado cientificamente. Deni também é um exemplo disso. Através do contato com os animais, bons sentimentos e novos estímulos são desenvolvidos no ser humano.

Denilson e a Athena, que está sendo treinada para ajudar crianças com dislexia

PARCERIA COM A UFPR

O Grapa tem parceria com a UFPR (Universidade Federal do Paraná) e veterinárias, por isso, as pessoas podem pedir ajuda à equipe, que colabora com orientação e mediação de consultas, por exemplo.

Assim que o abrigo estiver funcionando, virão alunos do curso de Medicina Veterinária da UFPR para cá. Eles examinarão os animais abrigados na sede e prestarão atendimento médico com agendamento.

“Teremos uma ficha cadastral para cada animal, e as pessoas, inscritas em programas governamentais, poderão solicitar sua inclusão para consultar seus bichinhos quando necessário”.

CEMITÉRIO DE ANIMAIS

Outra ideia, que talvez não seja tão feliz, mas que vai colaborar para um final mais digno aos animais de estimação dos rondonenses, é o Cemitério de Animais, que deve ser implantado na futura sede do Grapa.

“Os corpos dos animais mortos serão destinados à uma espécie de cemitério implantado lá. Vamos enterrar o animal num vaso e plantaremos flores por cima. Esses vasos ficarão na frente do Grapa. Os animais terão um final digno. Às vezes as pessoas têm dó de enterrar o animal em qualquer lugar ou não têm condições de mandar cremar, e só jogar na rua ou no mato não é legal. Tendo um cemitério para os bichinhos, quando a pessoa quiser, pode vir visitá-lo”, explica Deni.

Entretanto, a ideia se limita a animais de pequeno porte. Mas o Grapa pode orientar as pessoas de como prosseguir caso algum animal grande morra.

COLABORAÇÕES COM O GRAPA E ADOÇÃO

Há muitos animais para adoção nos lares temporários do Grapa.

“Sempre tentamos encontrar novos donos para estes cães e gatos, principalmente, porque quando o número de abrigados fica muito grande, eles começam a brigar e se ferir. Então, ao invés de ajudá-los acabamos prejudicando sua saúde. É importante lembrar às pessoas que adotar é um ato de amor”.

Além de adotar, qualquer pessoa pode ajudar o Grapa comprando ração e deixando nas veterinárias informando o desejo de destinar à compra de alimentação aos animais abrigados, ou fazendo doações financeiras através da conta corrente:  Agência 0715, Conta corrente do Sicredi: 10963-8 ou pelo PIX 37832919/0001-51. “Prestamos contas de tudo que é arrecadado”, informa Denilson. “Cada centavo que as pessoas podem doar conta muito”.

O Grapa também recebe doações de tampinhas de alumínio. “Quem toma refrigerante pode guardar as tampinhas e trazer para nós, que levamos até Santa Catarina onde funciona o programa Tampinha Legal, através do qual essas coletas são convertidas em dinheiro. Somos um dos 70 associados do programa”.

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