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Moradora de Marechal Rondon passa por cirurgia após suposta compressa cirúrgica ser esquecida em cesárea

Jovem de 23 anos foi submetida a novo procedimento no Hospital Bom Jesus, em Toledo; Hoesp informou que irá apurar o caso.

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Toledo News

Uma moradora de Marechal Cândido Rondon, de 23 anos, passou por uma cirurgia nesta quarta-feira (22), no Hospital Bom Jesus, em Toledo, para retirar um corpo estranho do abdômen. Segundo a família, tratava-se de uma compressa cirúrgica esquecida durante a cesárea que ela fez na mesma instituição, no dia 17 de abril.

Em nota, o hospital confirmou que a paciente passou pela cesárea na instituição no dia 17 de abril e informou que vai instaurar uma sindicância interna para apurar as circunstâncias do caso e a eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos. Segundo o hospital, após a conclusão da apuração e a identificação de eventuais responsáveis, o caso também será encaminhado às comissões de ética médica e de enfermagem. A instituição não confirmou, na nota, qual material foi retirado nem se ele permaneceu no organismo desde a cesárea.

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A cesárea foi feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, segundo a família, era a terceira cesariana da jovem. De acordo com a irmã dela, a paciente ainda se recuperava do parto quando notou um volume crescendo na barriga e passou a sentir dores.

Na última terça-feira (14), ela buscou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Marechal Cândido Rondon, onde fez um raio-x. O laudo apontou corpo estranho no hipogastro, na parte de baixo da barriga. Dois dias depois, na última quinta-feira (16), um ultrassom identificou uma massa de aproximadamente 7 por 6,7 centímetros no lado esquerdo do abdômen, descrita na conclusão do laudo como “massa heterogênea/corpo estranho”.

Na última sexta-feira (17), uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Marechal Cândido Rondon encaminhou a jovem, em caráter prioritário, para avaliação da cirurgia geral. No documento, foi registrada a hipótese de corpo estranho deixado acidentalmente em cavidade corporal após procedimento. O encaminhamento descreve ainda uma massa endurecida de aproximadamente 8 centímetros, palpável no lado esquerdo do abdômen, levemente dolorosa e com crescimento rápido e progressivo.

Na manhã de terça-feira (21), o quadro piorou. A jovem voltou à UPA de Marechal Cândido Rondon e foi levada por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Bom Jesus, em Toledo, onde ficou internada. A cirurgia para a retirada do corpo estranho foi realizada perto do meio-dia desta quarta-feira (22). Segundo a irmã, a jovem passa bem, mas está abalada emocionalmente.

A advogada Ivania Ramos Vieceli, que representa a família e atua na área de direito médico, afirmou que o objeto retirado foi recolhido como prova e deve ser enviado para análise laboratorial. Segundo ela, como o atendimento foi feito pelo SUS, a intenção da equipe jurídica é mover a ação de indenização contra o hospital, enquanto a conduta dos profissionais será avaliada dentro do processo. Ainda de acordo com a advogada, a equipe jurídica aguarda a alta da paciente e a liberação dos prontuários para protocolar a ação. Depois da perícia, ela pretende também apresentar pedido de providências ao Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR). Na avaliação dela, os elementos reunidos indicam um grave erro médico.

Ainda na nota, o hospital afirmou que adota o Protocolo de Cirurgia Segura, que estabelece a verificação e a contagem dos materiais utilizados nas cirurgias, e que tomou conhecimento do caso na tarde desta quarta-feira (22). Como a apuração está em andamento, a instituição disse que não vai se manifestar, neste momento, sobre responsabilidades individuais.

A família disse que decidiu tornar o caso público para alertar outras mulheres sobre a importância de procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes após uma cirurgia, como dores, inchaços ou outras alterações no corpo que não melhoram com o tempo.

Confira a íntegra da nota enviada pela Associação Beneficente de Saúde do Oeste do Paraná (Hoesp), que administra o Hospital Bom Jesus

“A Hoesp confirma que a paciente foi submetida a uma cesariana na instituição no dia 17 de abril. Nesta quarta-feira (22), a paciente recebeu atendimento médico no Hospital Bom Jesus, onde foram adotadas as condutas assistenciais e médicas consideradas cabíveis para o quadro clínico. Desde então, a Hoesp está prestando toda a assistência necessária à paciente.

A instituição informa que será instaurada uma sindicância interna para apurar as circunstâncias do caso, bem como a eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos na assistência. Após a conclusão da apuração e a identificação dos eventuais responsáveis, o caso também será encaminhado à Comissão de Ética Médica e à Comissão de Ética de Enfermagem.

A Hoesp ressalta que adota o Protocolo de Cirurgia Segura, que estabelece procedimentos de verificação e contagem dos materiais utilizados durante os atos cirúrgicos, os quais devem ser rigorosamente observados por todos os profissionais envolvidos na assistência.

É importante destacar que a Hoesp tomou conhecimento do caso na tarde desta quarta-feira (22). Como a apuração ainda está em andamento, a instituição não irá se manifestar, neste momento, sobre responsabilidades individuais ou outros aspectos específicos, reafirmando o seu compromisso com a segurança assistencial, a transparência na condução do processo e o acompanhamento integral da paciente e de seus familiares”.

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