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Excesso de chuva derruba em até 30% produtividade de trigo e de cevada no PR: entenda os efeitos das mudanças climáticas na agricultura

Segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do estado, chuvas recentes causaram de 20% a 30% de perdas para culturas nos Campos Gerais

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| Foto: Taylan Macedo/BOX Studio|
Encanto e magia

Os eventos climáticos intensos observados nos últimos meses no Paraná e em outros estados do Brasil estão atrelados ao El Niño, ativo no Oceano Pacífico, e de reflexos globais.

As mudanças causadas por esse fenômeno resultaram, por exemplo, nas chuvas intensas registradas região Sul, conforme explica Marco Antonio Jusevicius, coordenador de operação no Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) – e isso tem impacto direto na agricultura paranaense.

AGUA AZUL PISCINA

Dados preliminares do relatório regional da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (SEAB) indicam que o excesso de chuva na região dos Campos Gerais, em outubro, causou perdas de 20% a 30% na produtividade das culturas de trigo e cevada.

 de 150 milímetros.

“No período em que o El Niño está efetivamente ativo no Oceano Pacífico, a chuva mensal nos postos de medição como Ponta Grossa, Telêmaco Borba e Jaguariaíva apresentam um comportamento compatível com El Niño, com chuvas mensais acumuladas entre próximo a acima da média para a época do ano desde o final do inverno”, explica o coordenador.

Chuva e mais chuva

Jusevicius explica que o El Niño pode alterar a distribuição de umidade e varia as temperaturas em todo o planeta.

No Brasil, além das chuvas na região Sul, o evento também provoca secas prolongadas nas regiões Norte e Nordeste.

O cenário atual, no entanto, não está fora do previsto pela meteorologia.

Conforme Jusevicius, era esperada a alteração no padrão de chuva e da temperatura do ar, com um período mais chuvoso e um período mais quente que o normal no Sul do Brasil.

Ele destaca, contudo, que nos postos de medida na região dos Campos Gerais, o mês de outubro surpreendeu com os valores de chuva. Veja os registros abaixo:

  • Ponta Grossa: 314,4 mm;
  • Jaguariaíva: 399,8 mm (maior valor para outubro entre os anos de 1997 e 2023);
  • Telêmaco Borba: 348,8 mm (segundo maior valor para outubro neste mesmo período).

Outras culturas também foram afetadas

O relatório regional da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná indica, também, que as culturas de verão, como soja, milho e feijão, foram afetadas pelo excesso de chuvas.

A falta de luminosidade, o encharcamento do solo, a erosão e a inundação são fatores que podem comprometer o potencial produtivo e a qualidade dos grãos.

Nos Campos Gerais, estima-se que cerca de 50% da produção seja destinada à ração, a SEAB.

Dentre as culturas prejudicadas, o feijão deve apresentar a maior perda, em torno de 10%, informa Luiz Alberto Vantroba, economista do Departamento de Economia Rural (Deral).

O milho se recupera e não deve apresentar perdas significativas.

Impacto do clima na agricultura

Segundo as Nações Unidas, as concentrações de gases com efeito estufa atingiram os níveis mais elevados dos últimos dois milhões de anos e, como resultado, a Terra está aproximadamente 1,1°C mais quente do que era no século XIX.

Este aumento na temperatura, junto ao descongelamento de reservas de água nas regiões frias do globo, elevação gradual do nível dos mares e desequilíbrio ambiental, potencializam as mudanças climáticas.

Frente a essas mudanças, para implementar ou conduzir qualquer cultura agrícola, o produtor rural precisa considerar a condição climática e fatores como a quantidade de chuva, umidade do ar, incidência solar, intensidade dos ventos, entre outras circunstâncias que podem afetar a produção.

Jusevicius, do Simepar, destaca que os impactos de mudanças climáticas na agricultura podem ser tanto positivos como negativos, a depender de como os produtores encaram a necessidade de mudanças nos padrões de cultivo, e como se adaptarão caso o padrão de chuva e temperatura seja alterado nas próximas décadas.

“Cultivos que hoje estão adaptados ao padrão climático atual em uma determinada região poderão ficar inviáveis no futuro devido à alteração do clima. O agricultor deve ficar mais atento aos relatórios climáticos que mostram quais são os possíveis cenários climáticos futuros para planejar também sua adaptabilidade a esses cenários nas próximas décadas.”

Jusevicius pontua, ainda, que como é impossível ter controle sobre os eventos climáticos, um caminho para contornar eventuais problemas é trabalhar usando a tecnologia de forma intensiva.

“Uma postura de constante adaptação em relação ao ambiente e ao clima é o caminho mais adequado para o enfrentamento de um clima em rápida alteração nas próximas décadas”, finalizou.

D Marquez
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