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Saúde

A higiene bucal de pessoas com deficiência exige técnicas específicas

É essencial buscar um profissional qualificado. Sem esse cuidado, pacientes ficam mais suscetíveis a problemas como cárie e doença periodontal

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Ilustração: Catarina Bessel/SAÚDE é Vital
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Sabendo que a higienização correta da boca previne o agravamento de doenças em pacientes com determinadas deficiências, essa atividade precisa ser feita com atenção especial – sobretudo se estivermos falando de uma pessoa acamada ou com a coordenação motora reduzida.

Nesses casos, é necessário que os familiares ou cuidadores sejam orientados por um cirurgião-dentista especialista em odontologia para pacientes com necessidades especiais. Isso garante o ensinamento de técnicas e metodologias que sejam adequadas para cada caso e estejam de acordo com os protocolos do Ministério da Saúde.

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Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, 8,4% da população acima de 2 anos (17,3 milhões de pessoas) tinham algum tipo de deficiência. A pesquisa apontou ainda que 24,8% dos idosos (8,5 milhões de pessoas) desenvolveram alguma espécie de limitação.

Os dados indicam, portanto, a importância da atenção à saúde bucal de indivíduos com deficiência – seja física, visual, auditiva ou de alterações sensoriais, congênita ou adquirida.

Alguns trabalhos científicos apontam que esse grupo pode apresentar maior incidência de cárie e doença periodontal por diversos fatores, como dificuldade da higienização, contexto familiar, entre outros motivos.

Se essas pessoas, mesmo as acamadas, mantiverem a cognição e a coordenação motora fina – que é a capacidade de usar de forma precisa os pequenos músculos, como os das mãos e dos pés –, a indicação é que façam a escovação com o apoio do cuidador, prezando pela independência.

Caso a caso

Algumas recomendações são específicas de acordo com o diagnóstico. Devido à condição neurológica, os pacientes com Alzheimer, por exemplo, necessitam de ajuda na hora da higienização bucal ou atendimento odontológico.

Já em pessoas com redução cognitiva ou com transtorno do espectro autista (TEA), é indicado o uso de práticas de manejo comportamental e abordagem lúdica.

Podemos citar a técnica “dizer-mostrar-fazer”, em que a escovação é simulada com o uso de um fantoche para, gradativamente, ganhar a confiança do paciente e, então, realizar o procedimento.

Para tratar crianças surdas, o ideal é ter fluência em libras e fazer contato visual, assim será mais fácil a interação. Para as crianças cegas, é preciso utilizar materiais táteis, tanto para o atendimento quanto para a higienização. As sedações também são aliadas para casos nos quais há dificuldade de interação.

Outra técnica possível é a estabilização, comum em emergências. Em crianças pequenas e bebês (com dentes de leite ou decíduos), a odontopediatria usa a estratégia para atender casos de queda em que o dente quebra e expõe a polpa. A imobilização é feita sempre com o consentimento dos responsáveis legais.

Para a pessoa com síndrome de Down, devem ser observadas as condições anatômicas no sistema estomatognático, responsável pelas funções de sucção, mastigação e deglutição.

Esse sistema é composto por ossos, músculos, articulações, dentes, lábios, língua, bochechas, glândulas, artérias, veias e nervos, que podem requerer intervenção precoce com utilização de aparelhos corretores. O objetivo é minimizar danos posteriores.

Por isso, vale reforçar a importância da ida dos bebês com síndrome de Down ao odontopediatra antes da erupção dos dentes para avaliação e, se preciso, início de intervenções, como o uso da placa palatina de memória, que auxilia na correção da boca e melhora a fala. Outro recurso é o selamento labial, ou o exercício de estimulação com espátula de madeira, para descruzar a mordida anterior.

Vale ressaltar que cada caso é analisado pelo profissional e, para atendimentos a pessoas com deficiência, ter empatia é fundamental – tanto por quem será tratado, quanto por familiares ou cuidadores.

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