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Caso Bernardo: pai do menino não vai depor

Leandro Boldrini é novamente julgado pelo assassinato, cometido em abril de 2014 em Três Passos. Sentença que condenou médico havia sido anulada.

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Foto: Caetanno Freitas/G1
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Começou, nesta segunda-feira (20), o novo julgamento de Leandro Boldrini, pai de Bernardo Uglione Boldrini, acusado pela morte do menino de 11 anos, em Três Passos, no ano de 2014. O crime abalou a comunidade do município de quase 24 mil habitantes, no Noroeste do Rio Grande do Sul.

Nesta reportagem, relembre a linha do tempo do caso, que culminou com o julgamento de quatro réus em 2019. A condenação do pai da vítima, contudo, foi anulada pela Justiça, que retoma o júri no fórum da cidade.

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Desaparecimento, morte e prisões

  • 4 de abril de 2014: Bernardo desaparece
  • De acordo com a polícia, o menino foi visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância de onde morava. No dia 6 de abril, o pai do menino foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava no local e não havia chegado nos dias anteriores.
  • 13 de abril de 2014: pai pede ajuda para encontrar filho

Vários dias após o suposto sumiço do filho, o pai de Bernardo procurou uma emissora de rádio de Porto Alegre para pedir ajuda nas buscas ao menino. “A gente está com uma força-tarefa com a Polícia Civil, Brigada Militar. Assim, a gente tá procurando esse menino, que é o Bernardo Uglione Boldrini”, relatou Leandro Boldrini à Rádio Farroupilha, do Grupo RBS.

  • 14 de abril de 2014: corpo é encontrado

Corpo do menino foi achado em Frederico Westphalen, no Norte do estado, a 80 km de Três Passos. Na época, a polícia não descartava nenhuma linha de investigação. Dois carros da família foram recolhidos para perícia.

  • 14 de abril de 2014: pai, madrasta e amiga são presos

Na mesma noite em que o corpo foi encontrado, a polícia prendeu o pai, a madrasta, Graciele Ugulini, e uma amiga do casal, Edelvância Wirganovicz. No dia do desaparecimento, Graciele foi multada por excesso de velocidade entre Três Passos e Frederico Westphalen. Bernardo estava no banco de trás do carro.

  • 15 de abril de 2014: suspeita de abandono

Órfão de mãe, o garoto se queixava de abandono familiar. Bernardo chegou a procurar o Judiciário no início de 2014 para falar do assunto, pedindo para morar com outra família, segundo o Ministério Público.

A avó materna, Jussara Uglione, disse que a criança era maltratada pela madrasta. “Ela não deixava ele entrar em casa enquanto o pai não chegasse”, afirmou. Já uma ex-babá do menino afirmou que ele recebia pouca atenção do pai e da madrasta. “Ela sempre afastava o menino dela. Agredia com palavras”, disse.

  • 16 de abril de 2014: velório e sepultamento

O corpo de Bernardo foi velado no ginásio do Colégio Ipiranga, onde ele estudava, em Três Passos. A cerimônia foi marcada pela comoção de moradores do município. A vítima foi enterrada no Cemitério Municipal de Santa Maria, no mesmo jazigo da mãe, Odilaine, que cometeu suicídio em fevereiro de 2010, aos 30 anos.

  • 16 de abril de 2014: atestado de óbito

O atestado de óbito diz que a morte do menino ocorreu no dia 4 de abril de “forma violenta”, segundo a família materna. O documento não apontou a causa da morte, mas o texto diz que teria sido de forma violenta e que o corpo estava “em adiantado estado de putrefação”.

Processo

  • 10 de maio de 2014: preso quarto suspeito

A Polícia Civil prendeu o irmão de Edelvania, Evandro Wirganovicz, suspeito de participação ou ocultação de cadáver no caso. A Justiça considerou que o terreno onde o corpo de Bernardo foi encontrado era de difícil escavação, o que poderia indicar a presença de um homem além de Edelvania e a madrasta.

Evandro foi preso em Frederico Westphalen — Foto: Fábio Pelinson/Jornal O Alto Uruguai

  • 15 de maio de 2014: MP denuncia investigados

O pai, a madrasta e a amiga foram denunciados por homicídio quadruplamente qualificado (motivos torpe e fútil, emprego de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima). Eles também foram acusados de ocultação de cadáver.

“Leandro Boldrini, Graciele Ugolini e Edelvânia Wirganovicz mataram Bernardo Uglione Boldrini. Leandro foi o mentor intelectual desse crime. Ele tinha o domínio do fato. A decisão da morte do filho foi dele. A prova existe”, disse a promotora Dinamárcia Maciel de Oliveira.

  • 16 de maio de 2014: acusados viram réus

O juiz Marcos Luís Agostini recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP) contra os quatro acusados pelo envolvimento na morte de Bernardo.

  • 27 de maio de 2015: réus são interrogados

Mais de um ano depois do crime, os quatro réus são interrogados pela primeira vez na Justiça. Recebido no fórum com gritos de “assassino” por manifestantes e vestindo um colete à prova de balas, Leandro Boldrini negou participação no episódio. Irmão da amiga do casal, Evandro também negou envolvimento no caso. Já a madrasta, Graciele, e a amiga, Edelvânia, ficaram caladas.

  • 13 de agosto de 2015: Justiça decide que réus vão a júri

Os quatro acusados de participar da morte de Bernardo foram pronunciados pela Justiça, com isso, um júri composto por pessoas da comunidade iria decidir a sentença de cada um.

Júri

  • 11 de março de 2019: júri começa

O julgamento dos acusados foi iniciado em Três Passos. No lado de fora e na casa onde Bernardo vivia, manifestantes pedem justiça no caso.

  • 15 de março de 2019: réus são condenados

Após cinco dias e 50 horas de julgamento, o júri decidiu pela condenação dos quatro réus. Graciele Ugulini, a madrasta, recebeu pena de 34 anos e sete meses de prisão. Leandro Boldrini, o pai, foi condenado a 33 anos e oito meses de cadeia.

Edelvânia Wirganovicz, a amiga, foi condenada a 22 anos e 10 meses de prisão. Enquanto o irmão dela, Evandro Wirganovicz, foi sentenciado a nove anos e seis meses em regime semiaberto.

  • 26 de março de 2019: Evandro ganha liberdade condicional

A Justiça concedeu liberdade condicional para Evandro Wirganovicz. Ele estava preso desde 2014, quando ocorreu o crime. Segundo o Tribunal de Justiça, Evandro atingiu o tempo para progressão de regime e para o benefício do livramento condicional.

  • 10 de dezembro de 2021: anulada condenação de Leandro

O 1º Grupo Criminal do Tribunal de Justiça decidiu pela anulação do julgamento de Leandro Boldrini, pai do menino Bernardo. O relator do caso disse que “houve quebra da paridade de armas” na conduta do promotor de justiça durante o interrogatório do réu no júri.

  • 7 de maio de 2022: Edelvânia vai para o semiaberto

Edelvânia Wirganovicz conseguiu progressão de regime, indo para o semiaberto. Segundo a Justiça, a condenada passou por exame criminológico conduzido por uma psicóloga, procedimento que serve de elemento para análise do pedido de progressão. O juiz considerou que a amiga do casal “possui conduta plenamente satisfatória, conforme atestado de conduta carcerária”.

De acordo com a defesa de Leandro Boldrini, como ele não participou dos últimos dois dias do julgamento devido a problemas de saúde, ele precisava passar por uma avaliação médica que diria se ele poderia ou não participar hoje. A decisão foi pela não participação dele.Há 41 minutos

Júri foi colocado em pausa e deve retornar com a fase de debates.Há 46 minutos

Recomeça júri do caso Bernardo. Juíza disse que não vai haver o interrogatório de Leandro Boldrini, acusado do assassinato do filho. Alegação é de problemas de saúde.

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