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Netanyahu volta ao poder em Israel, agora mais à direita do que nunca

O político israelense promete expandir os assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada, o que deve aumentar ainda mais os atritos com os palestinos

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Foto: Reuters
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Benjamin Netanyahu tomou posse, nesta quinta-feira (29), como o novo primeiro-ministro de Israel, oficializando o que analistas consideram a maior guinada à direita da história do país judaico. No cargo, o tradicional político israelense promete expandir os assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada, o que deve aumentar ainda mais os atritos com os palestinos.

Vencedor das eleições legislativas de 1º de novembro, Netanyahu apresentou sua equipe ministerial aos deputados pela manhã e depois conseguiu passar por um voto de confiança no Parlamento -o resultado já era esperado, já que sua coalizão tem a maioria na Casa.

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A coalizão controlará 63 das 120 cadeiras do Knesset, uma maioria relativamente confortável para os padrões israelenses. Os últimos governos contavam com maiorias mais estreitas, de modo que defecções de um ou dois parlamentares resultavam na perda do controle do Parlamento –motivo pelo qual o país teve cinco eleições gerais nos últimos três anos.

Netanyahu anunciou o ex-ministro da Inteligência Eli Cohen como o novo chefe da diplomacia do país. Na quarta (28), ele já havia informado que Yoav Gallant, um ex-oficial próximo ao movimento pró-assentamentos na Cisjordânia, ficaria com a Defesa.

O novo governo de Bibi, como o agora premiê é chamado, é formado, em parte, pelo bloco de legendas ultranacionalistas Otzmá Yehudit (Força Judaica). O Ministério das Finanças, aliás, ficará sujeito ao líder de extrema direita Bezalel Smotrich -a pasta agora será responsável pela política de colonização na Cisjordânia, o que já incomodou o comando das Forças Armadas do país.

Já Itamar Ben Gvir, também de extrema direita, será ministro da Segurança Nacional e controlará a polícia que opera na Cisjordânia, ocupada desde 1967. A escolha foi criticada pelo procurador-geral do país, Gali Baharav-Miara, que teme o risco “de politização das forças de ordem”.

Ambos os extremistas se opõem à criação de um Estado palestino e já fizeram declarações preconceituosas contra a comunidade LGBTQIA+ e contra minoria árabe 21% dos israelenses são árabes e, de certa forma, mantêm relações amistosas com a Palestina. Ben-Gvir, aliás, foi condenado em 2007 por incitar contra árabes e apoiar um grupo militante judeu.

Por ora, o que mais preocupa a comunidade internacional e analistas é o desejo de Netanyahu de expandir os assentamentos israelenses na Cisjordânia. Na prática, tal medida significa converter terras associadas à Palestina em terras de Israel e, assim, reduzir o território considerado crucial para a criação de um eventual Estado palestino.

O partido conservador Likud, do premiê, comunicou na quarta em suas diretrizes para o governo que iria “promover e desenvolver assentamentos” em terras às quais “o povo judeu tem direito exclusivo e inatacável”.

Atualmente, cerca de 475.000 judeus vivem em assentamentos considerados ilegais pela lei internacional. Aliados de Israel, os Estados Unidos alertaram que se oporiam a uma expansão dos assentamentos ou a qualquer tentativa de anexação deste território.

“Essas diretrizes constituem uma escalada perigosa e terão repercussões na região”, disse Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas. O passado confirma: nas últimas vezes que Israel tentou ampliar seus assentamentos na região, o Hamas, grupo fundamentalista palestino, reagiu com violência, aumentando as tensões na região.

Ainda nesta semana, Netanyahu disse ao Parlamento que a missão de seu governo também será “frustrar os esforços do Irã para adquirir um arsenal nuclear, garantir a superioridade militar de Israel na região e ampliar o círculo de paz com os países árabes”.

Até por isso, Bibi prometeu aumentar os laços diplomáticos com a Arábia Saudita, antigo adversário político na região -os dois países, curiosamente, são os principais aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio. Riad, porém, não sinalizou que pretende dissociar sua diplomacia com Tel Aviv ao conflito entre israelenses e palestinos.

Netanyahu, 73, é o político que por mais tempo liderou o governo de Israel, com 15 anos divididos em dois mandatos (1996-1999 e 2009-2021). Seu último período como premiê foi marcado por acusações de corrupção, que abriram caminho para uma coalizão eclética de políticos de esquerda, centristas e partidos árabes -a aliança, porém, durou pouco mais de um ano e consagrou a volta de Bibi ao poder.

“É um governo dos sonhos para os aliados de Netanyahu e o pesadelo para outros”, disse à agência de notícias AFP Yohanan Plesner, presidente do Israel Democracy Institute. “Espera-se que este governo leve o país a uma trajetória completamente nova”.

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