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Com a vulnerabilidade instalada, a gente vai ter desastres e perdas cada vez maiores, diz especialista sobre relação de chuvas e pobreza

Falta de políticas públicas e de investimentos em áreas de risco, que costumam concentrar as populações mais pobres, resultam em tragédias que não devem ser justificadas apenas por questões climáticas.

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Vista dos estragos provocados por deslizamento de terra no bairro de Jardim Monteverde, região limítrofe entre Recife e Jaboatão dos Guararapes, em PE — Foto: RAFAEL VIEIRA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO
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As explicações para tragédias envolvendo deslizamentos de terra em dias com grandes chuvas, como as que afetaram Pernambuco na última semana, não deve vir apenas do céu, mas também da falta de políticas públicas e de investimentos em áreas de risco, que costumam concentrar as populações mais pobres.

Para Maria Fernanda Lemos, professora de urbanismo da PUC-Rio, a vulnerabilidade dessas populações, muitas vezes excluídas das esferas decisórias e com pouco acesso a recursos para adaptação, inclusive para garantir segurança nas estruturas de suas edificações, resulta em desastres cada vez maiores.

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“Essencialmente, em cidades que a gente sabe que são extremadamente afetadas já hoje por alagamentos, você imaginar que a gente pode ter um aumento na intensidade das chuvas ou de duração nos períodos de chuva, isso significa que com a vulnerabilidade instalada, a gente vai ter desastres e perdas cada vez maiores.”

Lemos, que também é coordenadora do capítulo sobre as Américas do Sul e Central do relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), analisa a relação entre das chuvas e de consequências do aquecimento global com as populações mais pobres.

Em apenas 5 meses, 2022 concentra um quarto das mortes provocadas por chuvas no Brasil em dez anos. Foram 457 vítimas até o fim de maio, segundo informou ao Assunto a Confederação Nacional de Municípios. Desde a semana passada, entraram nessa conta catastrófica mais de cem moradores da região metropolitana do Recife.

“A principal questão aqui é que a vulnerabilidade desses sistemas urbanos, e particularmente das áreas mais pobres, é uma vulnerabilidade que tem aumentado. A gente, ao invés de ter reduzido, a gente tem aumentado essa vulnerabilidade por conta tanto das condições físicas estruturais e naturais e as condições socioeconômicas das populações, que também é uma condição de vulnerabilidade muito grande. Então, se a gente tem um aumento na intensidade das chuvas e um aumento na vulnerabilidade, essa combinação é explosiva, significa que a gente vai ter desastres crescentes”, acrescenta Lemos.

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