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“Este é o momento de dar uma utilidade pública ao prédio da antiga prefeitura e valorizar a cultura rondonense”, diz pioneira

O imóvel, que no período de colonização serviu de sede da empresa Maripá, após a emancipação do município foi doado pela companhia para servir de sede da Prefeitura de Marechal Cândido Rondon

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A antiga prefeitura está situada na área central da cidade, no cruzamento das Ruas Sete de Setembro e Sergipe.
Silveira institucional

A Câmara de Vereadores de Marechal Cândido Rondon aprovou nesta segunda-feira (03), em segunda e última votação, o projeto de lei 06/2021, de autoria do vereador João Eduardo dos Santos (Juca) que revoga a lei municipal 1.568/1985, que declarou o prédio da primeira Prefeitura como patrimônio histórico de Marechal Cândido Rondon.

A exemplo da primeira votação, o texto teve aprovação de 11 vereadores. O único voto contrário, mais uma vez, foi do vereador Arion Nasihgil. O presidente Pedro Rauber votaria apenas em caso de empate.

Gramado Presentes

Conforme manifestou o vereador Juca ainda na justificativa do projeto de lei, ao pesquisar a legislação que resultou no tombamento do edifício, ele identificou que nem o requerimento da Câmara de Vereadores que à época propôs a medida, e nem a lei municipal aprovada em dezembro de 1985, apresentaram qualquer fundamentação ou proposta sobre o que fazer com o antigo prédio.

Tampouco o decreto que regulamentaria o cumprimento da lei chegou a ser formulado. O edifício também não está registrado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

“Para fazer qualquer intervenção na antiga Prefeitura, incluindo a criação de um “Memorial Histórico”, é preciso revogar a lei municipal 1.568/1985”, defendeu Juca.

O vereador aponta que, como a princípio, não existe interesse do governo municipal em investir na revitalização, a revogação que instituiu o espaço como patrimônio histórico é a melhor alternativa.

Isso porque, assim, a Prefeitura poderia promover a retirada do edifício e dar uma nova destinação à área. Ou, ainda, fazer a modernização da estrutura, o que hoje não é permitido pelo fato de ser um prédio tombado.

“O imóvel se encontra em local nobre do município e poderia servir para novas construções, ou até mesmo ser remodelado, cumprindo com a utilidade efetiva do bem público. Observando que em mais de três décadas o bem permaneceu ignorado perante seu tombamento, sequer aparentando ser um patrimônio histórico e com risco constante de aumentarem suas avarias, entendo que a revogação da lei se mostra imperiosa, possibilitando ao Executivo Municipal a administração efetiva do imóvel”, Juca disse quando o projeto começou a tramitar na Câmara em março.

Histórico

O imóvel, que no período de colonização serviu de sede da empresa Maripá, após a emancipação do município foi doado pela companhia para servir de sede da Prefeitura de Marechal Cândido Rondon.

Com ampliações, o espaço atendeu esta finalidade de 1960 até 1979, quando o Poder Executivo mudou para o atual Paço Municipal.

Nas últimas décadas, o prédio foi utilizado por diversos órgãos públicos, sendo que atualmente estão nele instalados o Provopar e a Pastoral da Criança, além da Secretaria Municipal de Viação e Obras.

Sem a devida manutenção, a estrutura, na sua maior parte em madeira, hoje está bastante precária, o que impossibilita até mesmo a utilização de algumas salas.

Para o vereador Arion Nasihgil, que teve voto negativo isolado desde a primeira votação, quando temos um local que dá origem a uma comunidade não podemos pensar na sua destruição simplesmente pelo fato dele não ter mais condições de fornecer uma memória adequada para a população.

“Um povo que preserva sua história possibilita a construção de um futuro para sua gente, para sua cultura. Não podemos simplesmente esquecer aquele local, esquecer nossos antepassados e pioneiros, esquecer as pessoas que lá trabalharam, os prefeitos que lá tomaram decisões, as pessoas da Colonizadora Madeireira Rio Paraná que lá estiveram e destruir esse local. Minha preocupação vem nesse sentido. Por mais que estejamos em outro tempo, sejamos de outra geração com outras tecnologias, um povo se torna rico quando mantém seus traços e requintes dos seus antepassados. Um povo sem memória é um povo sem cultura”.

O vereador sugere que seja mantido um memorial no local.

“Seria o momento de buscar recursos para manter o prédio e deixá-lo em memória daqueles que construíram Marechal Cândido Rondon, algo que lembre que naquele local iniciou a nossa história”, finalizou Arion.

Vereadores sugeriram que o espaço seja transformado em um memorial, mesmo que não seja usada toda a estrutura, mas que parte dela seja mantida e, quem sabe, restaurada.

A equipe de reportagem do Portal Rondon conversou com uma das pioneiras de Marechal Cândido Rondon, Venilda Saatkamp, que é professora aposentada, para saber de sua opinião a respeito do assunto que gerou polêmica no município.

“Não sou contra o destombamento da antiga Prefeitura. Quero parabenizar o vereador Juca e os demais vereadores que aprovaram este projeto e trouxeram este assunto a público, após 36 anos da criação da Lei”, diz Venilda.

Venilda fundamenta a sua posição fazendo um pequeno histórico de sua carreira. Ela foi secretária municipal de Educação e Cultura, em Marechal Cândido Rondon de 1983 a 1985 por um período de um ano e meio na gestão do prefeito Verno Scherer e, depois, de 1988 a 1992 na gestão do prefeito Dieter Seyboth. Estes cargos permitiram que acompanhasse a organização do museu no distrito de Porto Mendes.

“Entre 1983 e 1985 já havia um depósito com muitas peças para o museu na sala onde hoje fica a Secretaria de Obras. Naquele época, o espaço foi limpado, os materiais restaurados, catalogados e registrados em livro próprio para dar início na organização de um museu. Na mesma oportunidade foi organizado e inaugurado o Museu Histórico Padre José Gaertner, em Porto Mendes”.

Na segunda gestão frente à pasta, Venilda lembra que a equipe colocou o museu da sede para funcionar e a maior parte dos materiais eram doações de pioneiros de todo o município, relativo ao período da Colonizadora Maripá e outros. Ela ainda lembra que vários materiais também foram arrecadados por seus alunos do curso de Geografia e Antropologia da faculdade.

“Muitos alunos, desde o Ensino Fundamental visitaram o museu ainda improvisado, mas tudo foi exposto em prateleiras e bem organizado. O objetivo era despertar nos alunos o gosto pela História e Geografia, reconhecer a importância dos antepassados, a evolução dos materiais, em especial da agricultura e domésticos”, ressalta.

Conforme conta a professora, a ideia era usar o espaço da primeira prefeitura mantendo suas características originais para transformar em um Memorial Histórico e Museu. “Mas não sei com qual justificativa o patrimônio do museu da sede do município foi levado para Porto Mendes. Principalmente pelo que sei, não foi feita uma consulta pública que autorizasse essa transferência”, complementa.

Para Venilda doações como o trator que abriu as primeiras estradas e ruas do município, como o trator solicitado pelo vereador da época Romeu Saatkamp e o prefeito Verno Scherer, que deveria ser restaurado e colocado em um local coberto junto ao museu, pois, na praça está bastante danificado.

“O Museu é um patrimônio público e um espaço rico de aprendizagem para estudantes, cultura, visitação e turismo. Depois de 36 anos não há muito o que se aproveitar da construção da antiga prefeitura. Mas reconstruir e manter as características originais é possível, apesar de exigir o empenho do Poder Público ao qual pedimos apoio para chegar a um bom resultado”.

A pioneira finalizou a sua conversa com a equipe de redação do Portal Rondon dizendo que este é o momento de dar uma utilidade pública ao prédio da antiga prefeitura e valorizar a cultura rondonense, já que não temos nenhum monumento que enaltece e preserva a história dos pioneiros que muito trabalharam para o desenvolvimento social, cultura e econômico de Marechal Cândido Rondon.

Depois que foi aprovado pela Câmara, o projeto de lei que dispõe sobre o destombamento histórico da antiga Prefeitura segue agora para sanção do Poder Executivo Municipal.

Portal Rondon/ com informações da Câmara de Vereadores

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