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Professores se mobilizam contra atitudes de desvalorização da classe e falta de recursos para retorno das aulas em meio à pandemia

O ato simbólico aconteceu em frente ao NRE de Toledo hoje (24) pela manhã

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Martin Luther – Enem

O núcleo sindical dos Trabalhadores em Educação Pública de Toledo, realizou, no início da manhã de hoje (24), um ato simbólico em frente ao Núcleo Regional de Educação (NRE) daquele município.

A manifestação tem o objetivo de lembrar as vítimas da Covid-19, especialmente da região abrangida pelo NRE de Toledo, do qual faz parte o município de Marechal Cândido Rondon e mais 14 municípios vizinhos.

Gramado Presentes

Na terça-feira (23) o Paraná já estava com 94% das UTIs ocupadas, representando um iminente colapso na saúde, tanto estadual como regional. Dados como esse preocupam os professores.

Apesar de entender a importância da volta às aulas presenciais, a direção regional da APP reconhece que essa medida agravará a situação em que o Oeste do Paraná se encontra.

Segundo o presidente da APP-Toledo, Esion Fernando de Freitas, “os professores temem o retorno das aulas presenciais na rede pública de Educação do Paraná no atual contexto sanitário porque as escolas não têm condições humanas e estruturais de garantirem um mínino de segurança aos profissionais, estudantes e seus familiares”.

Para a APP, o ato realizado no início da manhã hoje foi uma denúncia pelas vidas perdidas com pandemia da Covid-19, mas também um protesto contra ações governamentais que, no lugar de controlar a pandemia, colaboram com a sua disseminação entre a população. Esion diz que a escola pública não pode ser espaço onde a morte se faz presente de maneira evitável. “A vida é essencial”, ressalta.

Durante a mobilização, a APP-Toledo publicou este vídeo do presidente Esion Fernando de Freitas:

Professores se mobilizaram nas redes sociais

Já na semana passada, espontâneamente, professores haviam começado a se mobilizar nas redes sociais devido às dificuldades enfrentadas no dia a dia e a desvalorização que sofrem há muitos anos.

Especialmente no ano passado, desde que a pandemia obrigou grande parte da população a permanecer em casa, os professores tiveram de promover esforços ainda maiores para ofertar o aprendizado através da educação remota.

Nas postagens espalhadas pelas redes, os professores mostram que a educação deixou de ser valorizada há um tempo e isso reflete diretamente no comportamento de parte da sociedade atualmente.

A professora de Língua Portuguesa e Espanhola, Márcia Vorpagel Serschon, que está em sala de aula desde 2008, disse à redação do Portal Rondon que dá para ver a desvalorização do professor quando se depara com comentários desqualificando a educação pública e a profissão professor, valendo-se, inclusive, de palavras depreciativas, pejorativas como por exemplo, “vagabundo”.

“Talvez, quem fez e faz uso deste verbete, tenha até razão, se nos pautarmos na definição de que vagabundo é “Característica de quem caminha sem rumo”, pois há muito tempo a educação no Brasil não é prioridade. Estamos caminhando num rumo contrário aos países que têm a educação como prioridade para a evolução econômica e social de uma nação”, expõe a professora.

Uma das postagens compartilhadas pelos professores nas redes sociais nesta semana é essa:

Para a professora Márcia, quem faz uso do termo “vagabundo” quando se refere aos profissionais da educação não sabe a dedicação exaustiva, das adaptações a nova realidade vivida em 2020, para que os estudantes seguissem com seus estudos.

“Fizemos das nossas casas o nosso local de trabalho (já não conseguíamos separar o profissional do pessoal), utilizando nossos recursos, como computador, celular, internet, atendendo estudantes, pais, aprendendo um novo formato de ensino sem nenhum preparo, mas o fizemos com muita dedicação, trabalhando muitas horas além do nosso contrato de trabalho”, relata.

Ela deixa ainda uma reflexão aos leitores perguntando “Qual é o trabalhador que trabalha além das horas firmadas em seu regime de trabalho sem receber extraordinário, ou banco de horas?” Márcia diz que não é preciso responder essa pergunta, apenas refletir.

Muitos colégios não possuem a estrutura necessária para o modelo de ensino que a Covid-19 impôs e o Estado ainda não forneceu os equipamentos necessários para que as aulas híbridas possam ser desenvolvidas.

“Quando uma diarista desenvolve seu trabalho, é ela quem precisa levar os produtos de limpeza, vassoura, rodo para desenvolver o trabalho? Não. Quantas cirurgias marcadas precisam ser canceladas por falta de anestesia, de algum equipamento, ou porque o centro cirúrgico carecia de algum insumo, indisponível no momento? Nenhum profissional diz “deixa que eu compro tal coisa, vamos manter a cirurgia”. Estes profissionais podem ser culpados de alguma forma? Não, afinal não é sua culpa que não tenham os meios necessários para realizarem sua missão”, exemplifica Márcia.

Segundo os professores, a Educação sempre foi sucateada, esquecida, abandonada pelos governantes. “Mas nós sempre tapamos esse “buraco” com nossos recursos, rifas, promoções para poder manter uma estrutura e atender bem a comunidade.”

O que os professores desejam através dessa campanha é que a sociedade deixe de enxergá-los como “vagabundos”, sanguessugas ou vadios.

“As pessoas defendem o governo e ficam contra nós. Muitas vezes as propagandas iludem, ou simplesmente a voz de “especialistas facebookianos” é a “verdade”. Porém, é preciso conhecer a realidade de uma escola e seu funcionamento, entender como funciona uma sala de aula, e muitas vezes sem acompanhar os estudos dos próprios filhos. Precisamos encontrar soluções juntos e cobrar quem realmente deve se cobrado, pois todas as profissões importam”, finaliza Márcia.

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